Flávio Bolsonaro chama 8 de janeiro de “farsa” e ataca Moraes em ato na Paulista

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) reuniu apoiadores e aliados políticos na tarde desta segunda-feira (7), na Avenida Paulista, na região central de São Paulo, em um ato de campanha marcado por críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Com o mote “Fora Lula, Fora Moraes”, Flávio afirmou durante o discurso que os atos de 8 de janeiro foram uma “farsa”, atacou Moraes e apresentou propostas voltadas principalmente à segurança pública e à saúde.

O Supremo Tribunal Federal já condenou 29 réus acusados de participar da organização criminosa que tramou o golpe de Estado em 8 de janeiro de 2022, em quatro ações penais. Sete deles já cumprem pena, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da More in Common, o ato chegou a reunir 28,5 mil pessoas no horário de pico.

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Flávio iniciou o discurso relembrando o atentado sofrido pelo pai em 6 de setembro de 2018, durante a campanha presidencial daquele ano.

“7 de setembro seguinte eu estava com ele, lutando pela sua vida na Santa Casa de Juiz de Fora enquanto cada um de vocês estava já nas ruas lutando pelo Brasil. Ontem, completaram 8 anos e ele está mais vivo do que nunca.”

Na sequência, o candidato comparou a situação de Jair Bolsonaro após os atos de 8 de janeiro a uma “segunda facada”.

“Deram uma segunda facada em Bolsonaro. Essa farsa que foi 8 de janeiro. Essa farsa que condenaram um homem correto, um homem honesto, um homem que tem Deus no coração, por crimes que ele não cometeu. Foi a segunda facada”, afirmou.

Flávio também declarou que faz campanha usando colete à prova de bala e disse acreditar que sua vida pode estar em risco.

“Por providência divina, a missão que Bolsonaro passou para o filho primogênito, eu estou encarando mesmo que a minha vida esteja em risco e fazendo campanha com colete à prova de bala porque sei do que a esquerda é capaz. Eu faço campanha com colete à prova de bala porque sei que o povo brasileiro é o colete do Brasil, que defende nossa democracia. Vão tentar uma terceira facada, não só em mim, mas nos meus aliados, eu estou avisando.”

Ao abordar a crise no Supremo Tribunal Federal, Flávio concentrou as críticas em Alexandre de Moraes.

“Nós temos que proteger o STF de Alexandre de Moraes, aquela laranja podre. O Supremo não é Alexandre de Moraes. A magistratura não é Alexandre de Moraes”, declarou.

O ato ocorreu após a repercussão de mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes que apontam uma relação de proximidade entre o magistrado e o ex-controlador do Banco Master à época dos fatos investigados.

A manifestação retomou ainda uma pauta presente em mobilizações anteriores da direita. Em 2024, um protesto foi convocado com pedidos de impeachment de Moraes. No ano passado, participantes de outro ato na Avenida Paulista voltaram a defender a saída do ministro.

Flávio também apresentou propostas para a área de segurança pública. Segundo ele, caso seja eleito, pretende declarar guerra ao narcotráfico a partir de janeiro de 2027.

“A partir de janeiro do ano que vem, vou declarar guerra aos narcoterroristas. PCC e Comando Vermelho vão ser declarados terroristas. Eles estarão presos ou neutralizados pela polícia. Eu vou trabalhar para reduzir a maioridade penal, cortar impostos, ter castração química de abusador de mulher, e ladrão de celular vai ficar preso no mínimo 8 anos.”

Na saúde, o candidato prometeu elevar o padrão do Sistema Único de Saúde.

“A saúde pública vai ser padrão Einstein. O nosso SUS vai ser padrão Einstein, como nosso ministro. Vai ser um Brasil que não depende de político para levar comida para dentro de casa. A minha candidatura é de protesto, para configurar que o Brasil tem jeito, tem futuro. Eu vou cuidar do Brasil”, afirmou.

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também participou da manifestação. Mais cedo, ele não compareceu ao desfile cívico-militar de 7 de Setembro realizado no Sambódromo do Anhembi, onde foi representado pelo vice-governador Felicio Ramuth (MDB).

Na Paulista, Tarcísio pediu votos para Flávio e para candidatos da direita ao Senado e afirmou que nenhuma autoridade está acima da Constituição.

“Absolutamente ninguém está acima da Constituição. Senador nenhum está acima da Constituição. Magistrado nenhum está acima da Constituição. Ministro nenhum está acima da Constituição. Governador nenhum está acima da Constituição. O presidente da República não está acima da Constituição. Ninguém está acima da lei.”

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), foi um dos primeiros a discursar. Ele pediu votos para Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), estes dois últimos candidatos ao Senado.

Também participaram do ato Derrite, André do Prado, Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, e Valdemar Costa Neto, presidente do PL.

“Quero declarar a independência do Brasil a partir de 2027 contra o crime organizado no Brasil. Ou os criminosos mudam de país, ou serão presos ou neutralizados no Brasil. Ninguém aguenta mais”, disse Derrite.

Valdemar Costa Neto relacionou diretamente o futuro político de Jair Bolsonaro à eleição de Flávio.

“Só tem um jeito. O Jair Bolsonaro vai ficar preso mais 10 anos se o Flávio não for eleito. Se o Flávio for eleito, Bolsonaro estará com a gente no dia seguinte. Estamos juntos para a vitória”, afirmou.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) também discursou e voltou a atacar Alexandre de Moraes.

“Fora, Moraes. Escute, Alexandre de Moraes, vamos tirar seu sorriso debochado. Ano que vem não vai ser Lula que vai indicar quatro ministros do STF, vai ser Flávio Bolsonaro. Flávio é o único candidato capaz de tirar o PT”, declarou.

Os primeiros grupos de apoiadores chegaram à Avenida Paulista por volta das 13h30, levando bandeiras do Brasil, usando camisetas amarelas e exibindo faixas contra o STF, principalmente contra Moraes.

De acordo com o Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e a More in Common, o pico de público ocorreu às 16h32, com estimativa de 28,5 mil participantes. Com margem de erro de 12%, o levantamento indica que havia entre 25,1 mil e 32 mil pessoas naquele momento.

A contagem foi realizada com base em fotografias aéreas analisadas por software de inteligência artificial.

No ato de 7 de setembro de 2025, as entidades estimaram 42,2 mil pessoas na Avenida Paulista e 42,7 mil em Copacabana, no Rio de Janeiro. Em 2024, foram estimados 45,4 mil participantes na Paulista. Em 2022, foram 32,7 mil em São Paulo e 64,6 mil no Rio. Não houve protesto oficial em 2023.

Durante o evento, a Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar um grupo de manifestantes de esquerda na Avenida Paulista.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), na região da Rua Peixoto Gomide com a Alameda Santos, um grupo tentou invadir o espaço destinado aos apoiadores de Flávio Bolsonaro, levando PM e Guarda Civil Metropolitana a intervir para conter as partes.

De acordo com o boletim de ocorrência, a intervenção policial foi necessária para evitar um confronto entre os manifestantes. Para dispersar o grupo e restabelecer a ordem, a PM utilizou agentes químicos e força, conforme o procedimento operacional padrão.

A SSP informou que não houve registro de incidentes graves e que o policiamento permaneceu na Avenida Paulista para garantir a segurança e o direito à livre manifestação.

Fonte: G1