Uma carga de 900 quilos de castanhas portuguesas importadas da Itália foi interceptada no Aeroporto Internacional de Guarulhos após a identificação de uma praga considerada ausente do Brasil. O caso foi divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na terça-feira (20) e mobilizou medidas para evitar a entrada do organismo no território nacional.
A fiscalização foi realizada por agentes da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), responsável por inspecionar produtos agropecuários que chegam ao país. A mercadoria desembarcou no Brasil em 7 de outubro e foi submetida a análises depois que foram encontradas larvas suspeitas.
A praga identificada é a Cydia splendana, conhecida como bichado-da-castanha, traça-da-castanha ou mariposa-da-castanha. A espécie representa um risco fitossanitário por seu potencial de provocar prejuízos à agricultura.
As larvas desse inseto perfuram a casca das castanhas e se alimentam do interior dos frutos durante o período de maturação. A infestação pode causar a queda prematura das castanhas e comprometer tanto a qualidade quanto o volume da produção agrícola.

Além dos castanheiros, a praga pode atacar carvalhos, avelaneiras e nogueiras. Segundo o Ministério da Agricultura, uma eventual entrada da espécie no Brasil poderia provocar perdas econômicas aos produtores, aumentar os custos de controle e afetar a biodiversidade.
Outro risco apontado é a possibilidade de restrições comerciais a produtos agrícolas brasileiros caso outros países adotem medidas sanitárias preventivas para evitar a disseminação da praga.
Após a identificação inicial das larvas suspeitas, amostras foram encaminhadas a um laboratório de referência credenciado pelo Ministério da Agricultura para análise fitossanitária.
Como medida emergencial, o Mapa determinou a fumigação da carga com brometo de metila, tratamento realizado em 16 de outubro. Após o procedimento, será solicitada a devolução da mercadoria à Itália ou sua destruição, conforme os procedimentos aplicáveis ao caso.
A ocorrência integra o trabalho de fiscalização realizado pela Vigilância Agropecuária Internacional em portos, aeroportos e postos de fronteira. O objetivo é impedir a entrada de pragas e doenças que possam ameaçar a produção agropecuária brasileira.



