Guarulhos debate desafios de mulheres refugiadas na ciência e tecnologia

A Escola de Administração Pública Municipal de Guarulhos (Esap) promoveu, na sexta-feira (23), a roda de conversa “Ciência e tecnologia é coisa de mulher refugiada sim!”, no auditório do Adamastor. O encontro reuniu mulheres migrantes e refugiadas, representantes de instituições e servidores públicos para discutir os obstáculos à inclusão profissional e valorizar a contribuição dessas mulheres para a produção científica e tecnológica.

Vinculada à Secretaria de Gestão da Prefeitura de Guarulhos, a Esap organizou a atividade com o apoio e a participação do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). A entidade foi representada por Vivian Holzhacker, associada de soluções duradouras. Também participou Constance Salawe, vice-presidente do Conselho Municipal de Políticas para Imigrantes de São Paulo.

A roda de conversa contou ainda com mulheres do Afeganistão, da Síria e da República dos Camarões que atuam nas áreas de educação, ciências e tecnologia. Elas compartilharam experiências relacionadas à saída forçada de seus países de origem, aos processos migratórios, ao acolhimento e à inserção social e profissional.

Entre os principais desafios discutidos estavam as barreiras linguísticas e culturais, o reconhecimento e a validação de diplomas e experiências profissionais, as dificuldades de acesso ao mercado de trabalho e o enfrentamento de práticas discriminatórias, como racismo e xenofobia.

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Integrada à programação da 10ª Semana do Conhecimento de Guarulhos, com o tema “Ciência Delas”, a iniciativa também buscou ampliar a visibilidade das mulheres refugiadas como produtoras de conhecimento. O encontro destacou a participação delas na educação, nas ciências e na tecnologia, além de suas contribuições para o desenvolvimento científico brasileiro.

A escolha do tema está relacionada à diversidade cultural de Guarulhos e à presença de pessoas migrantes e refugiadas no município. Suas experiências e conhecimentos contribuem para o desenvolvimento social, cultural, econômico e intelectual da cidade. A valorização dessas trajetórias também está associada à promoção da igualdade de oportunidades e ao fortalecimento da inclusão.

O evento reuniu servidores públicos das áreas de assistência social, educação, saúde, direitos humanos, habitação, trabalho e renda, justiça e cidadania. Também estiveram presentes representantes da Universidade Guarulhos, incluindo a coordenação do curso de Psicologia, e do curso de Direito da FIG/Unimesp.

Participaram ainda representantes dos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente, de Políticas para as Mulheres e de Turismo, além da Associação Brasileira de Defesa da Mulher, da Infância e da Juventude (Asbrad). Estudantes e estagiários de Psicologia e Serviço Social também acompanharam a atividade.

A roda de conversa contou com integrantes e representantes da coordenação da Casa de Passagem Terra Nova II, administrada pela Asbrad, e da Casa de Acolhida Povos Fraternos, gerida pelo Núcleo Batuíra. Mulheres refugiadas atendidas pelas duas organizações sociais também participaram dos debates, contribuindo para ampliar a escuta, a participação cidadã e a visibilidade das comunidades migrantes e refugiadas em Guarulhos.