Polícia identifica suspeitos após encontrar 20 corpos em sacos de lixo em São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo identificou suspeitos de envolvimento em homicídios relacionados ao abandono de corpos em sacos de lixo na capital e na região metropolitana. Ao todo, 20 corpos foram encontrados entre 5 de setembro e 26 de outubro, em ocorrências investigadas como homicídio. Três suspeitos foram presos pela Polícia Civil, enquanto outros envolvidos foram identificados e são alvo das investigações.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), cinco adultos têm mandados de prisão autorizados pela Justiça. Outros dois suspeitos são adolescentes, para os quais foram solicitadas medidas de busca e apreensão. As informações também mencionam a identificação de outros sete envolvidos e a prisão de um homem pela Polícia Militar.

As investigações estão sob responsabilidade do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), na capital, e das unidades policiais competentes na região metropolitana. O objetivo é identificar todos os envolvidos, determinar a participação de cada suspeito e reunir provas para responsabilizá-los judicialmente.

Do total de 20 corpos encontrados no período, 15 estavam na cidade de São Paulo e cinco em municípios da região metropolitana: dois em Itapecerica da Serra, um em Embu das Artes, um em São Bernardo do Campo e um em Diadema.

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Segundo a Polícia Civil, os casos têm em comum o transporte e o abandono dos corpos em locais públicos após as execuções. As vítimas seriam pessoas ligadas ao cometimento de diferentes crimes, incluindo tráfico de drogas e roubo.

A diretora do DHPP, Ivalda Aleixo, afirmou que as ocorrências estão sendo apuradas separadamente e descartou, até o momento, a hipótese de atuação de um serial killer.

“Cada caso exige uma apuração própria, com análise dos vestígios, imagens, depoimentos e demais elementos de prova. A identificação dos suspeitos representa um avanço importante, mas o trabalho continua até que todas as circunstâncias dos crimes sejam esclarecidas e os responsáveis sejam levados à Justiça”, declarou.

Um dos casos investigados envolve a morte de Jean Victor Sousa Guimarães, de 22 anos, cujo corpo foi localizado na quinta-feira (22), no Jardim do Lago, na zona oeste da capital paulista. A vítima estava amarrada e dentro de um saco plástico, com sinais de violência, incluindo um corte na cabeça e marcas de disparos de arma de fogo.

Moradores encontraram o corpo e acionaram a Polícia Militar. Com esse caso, o número de corpos localizados em circunstâncias semelhantes no município de São Paulo desde o início de setembro chegou a 13, conforme levantamento citado na reportagem original.

Homem de 40 anos é preso por suspeita de homicídio

No sábado (24 de outubro), a Polícia Militar prendeu um homem de 40 anos suspeito de participação no assassinato do jovem. Durante a abordagem e as buscas, os policiais encontraram um revólver calibre .38 com a numeração suprimida e cinco munições intactas, escondidos no vão do telhado de uma residência. Um aparelho celular também foi apreendido.

Segundo o tenente-coronel Ives Minosso, comandante do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M), a equipe chegou ao suspeito após receber informações encaminhadas ao Disque-Denúncia. Os dados foram utilizados pelo serviço de inteligência para localizar um endereço no Jardim Catanduva.

Ainda conforme os relatos reunidos pela polícia, o homem teria ligação com uma facção criminosa. A apreensão da arma levou à prisão em flagrante, e o suspeito foi encaminhado ao DHPP. O departamento solicitou à Justiça a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva.

Secretário descarta, por enquanto, ação de um único criminoso

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, também afirmou que os casos são investigados individualmente. Segundo ele, em algumas ocorrências, a prisão de suspeitos já foi solicitada e autorizada pela Justiça.

Na quinta-feira (22), o secretário se reuniu com integrantes da cúpula da Polícia Civil, entre eles o delegado-geral Artur Dian e a diretora do DHPP, Ivalda Aleixo. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Nico afirmou que, até aquele momento, não havia evidências de que os crimes tivessem sido cometidos pela mesma pessoa.

“Até agora, não encontramos [evidências de] que esses 12, 13 casos foram praticados pela mesma pessoa. Estamos trabalhando muito nisso [na descoberta das autorias]”, escreveu.

O secretário acrescentou que as possíveis semelhanças entre os crimes estão sendo analisadas e ressaltou que nenhuma linha de investigação foi descartada.

“Nenhuma hipótese é descartada. Cada caso tem sua investigação e o seu suspeito, e já temos prisão preventiva decretada em alguns. Pode confiar na polícia”, finalizou.

A possibilidade de atuação de um serial killer ganhou repercussão nas redes sociais após a localização de diversos corpos desde 5 de setembro, tanto na capital quanto em municípios da região metropolitana, incluindo Itapecerica da Serra, Diadema e São Bernardo do Campo. As autoridades, porém, afirmam que ainda não há evidências suficientes para atribuir os crimes a um único autor.