Secretário-adjunto de Guarujá pede exoneração após posts contra eleitores do PT

O advogado Airton Jose Sinto Junior, conhecido como Airton Sinto, pediu exoneração do cargo de secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania de Guarujá, no litoral de São Paulo, após a repercussão de publicações nas redes sociais em que afirmou que não contrataria nem prestaria serviços a eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT). A informação foi confirmada pela prefeitura.

Uma captura de tela divulgada pela imprensa local mostra uma publicação em que Airton declara que não compra, não contrata e não advoga para pessoas que votam no PT. As manifestações provocaram repercussão e levaram a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por meio da Subseção de Guarujá, a se posicionar sobre discriminação política e ética profissional.

Em outra publicação, o advogado compartilhou a frase: “Não contrate quem ODEIA empresários”.

Ele também divulgou uma captura de tela de uma conversa em que uma mulher pedia ajuda para comprar uma cesta básica. Na mensagem, o autor afirmou acompanhar a mulher nas redes sociais e disse que, depois de ela comemorar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não precisaria mais de ajuda ou doações, sob o argumento de que o presidente a teria tirado da pobreza.

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Airton ainda compartilhou uma frase que mencionava “rifinha, vakinha, docinho, bolinho, ajudinha” e fazia referência a pedir ajuda ao “veinho”.

Procurado para comentar o caso, o advogado não havia respondido até a última atualização da reportagem.

Em nota, a Prefeitura de Guarujá afirmou que as manifestações foram feitas em caráter pessoal e não representam o posicionamento institucional do governo municipal.

OAB critica discriminação por posicionamento político

Após a repercussão das publicações, a OAB Subseção de Guarujá divulgou um posicionamento sobre o caso. A entidade destacou que a liberdade de convicção política é um direito fundamental e afirmou que discriminar pessoas ou restringir oportunidades profissionais com base em suas posições políticas é incompatível com os princípios do Estado Democrático de Direito.

A instituição também ressaltou que o exercício da advocacia exige conduta ética e respeito à dignidade humana.

Em outra manifestação, a OAB enfatizou que agentes públicos devem atuar com impessoalidade e que divergências políticas não justificam excluir cidadãos do mercado de trabalho.

A entidade reforçou, por fim, que a ética profissional e o respeito aos direitos fundamentais devem prevalecer sobre a intolerância política.