Influencers viram alvo de operação contra jogos ilegais no Brasil: Bia Miranda, Maumau e outros sob investigação

Influencers viram alvo de operação contra jogos ilegais no Brasil: Bia Miranda, Maumau e outros sob investigação

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta quinta-feira (7), a Operação Desfortuna, que mira um esquema milionário de promoção ilegal de jogos de azar online — em especial, plataformas como o popular “Jogo do Tigrinho”. Entre os alvos da investigação estão nomes conhecidos das redes sociais, como Bia Miranda, Buarque, Maumau e as gêmeas Paulina e Paola de Ataíde, todos com milhões de seguidores.

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, em ações simultâneas nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, os agentes apreenderam uma arma de fogo na casa do influenciador Maumau, que foi preso em flagrante.

As investigações, conduzidas pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), apuram indícios de crimes como lavagem de dinheiro, estelionato, publicidade enganosa e crime contra a economia popular. A operação teve como alvos 15 influenciadores digitais, que juntos somam mais de 35 milhões de seguidores nas redes sociais.

Segundo o delegado Renan Mello, os investigados utilizavam suas plataformas digitais para promover cassinos e jogos de caça-níquel online, o que difere das apostas esportivas regulamentadas no país. “Eles estavam promovendo jogos de azar — como o Tigrinho — com a promessa de lucros fáceis e rápidos, o que é considerado publicidade enganosa”, afirmou.

O modelo de remuneração dos influenciadores consistia em receber comissões sobre as perdas dos apostadores que acessavam os sites por meio dos links divulgados. Entre 2022 e 2024, o grupo teria movimentado cerca de R$ 40 milhões em contas pessoais, com indícios de uso de fintechs, empresas de fachada e intermediação financeira irregular.

A Justiça autorizou a quebra de sigilo fiscal das empresas envolvidas. A estimativa é de que o volume total do esquema ultrapasse os R$ 4,5 bilhões.

As irmãs Paulina e Paola prestaram depoimento na delegacia na manhã de hoje, acompanhadas de uma advogada, mas optaram por não se pronunciar. A reportagem da TV Globo informou que tentou contato com os demais envolvidos, sem sucesso até o momento.

A operação é resultado de um trabalho conjunto da Polícia Civil com o Gabinete de Recuperação de Ativos (GRA) e o Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (Lab-LD). As investigações continuam.