Moraes articula “seguro anti-vista” para garantir julgamento de Bolsonaro

O ministro do STF Alexandre de Moraes, relator da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado, tomou medidas para evitar que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seja suspenso por pedidos de vista. Nos bastidores da Corte, os movimentos têm sido apelidados de “seguro anti-vista”, referência à prerrogativa que permite a um ministro solicitar mais tempo para analisar o processo, interrompendo o julgamento por até 90 dias.

Segundo fontes do tribunal, Moraes coordenou com o presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin, para que a data do julgamento não fosse marcada imediatamente após a entrega das alegações finais, garantindo cerca de dez dias para que os colegas revisem o caso.

Para facilitar o estudo, Moraes enviou aos ministros um link com toda a documentação reunida, incluindo provas, vídeos de depoimentos e interrogatórios. Ministros próximos ao processo avaliam que as chances de pedidos de vista são remotas, e Luiz Fux, por exemplo, já descartou a possibilidade.

O julgamento, previsto para começar em 2 de setembro, terá cinco sessões concentradas entre os dias 2 e 12, com as duas primeiras dedicadas às sustentações orais e a votação iniciando no dia 9. A estratégia busca evitar que o julgamento do “núcleo 1” se estenda para 2026. A Primeira Turma é composta por Moraes, Zanin, Fux, Flávio Dino e Cármen Lúcia.

Fonte: CNN