Com Paulinho da Força como relator, anistia avança, mas frustra bolsonaristas

O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP) foi escolhido relator do Projeto de Lei da Anistia, aprovado em regime de urgência na Câmara. O parlamentar deve apresentar um texto mais restrito, com foco na redução de penas de envolvidos nos atos de 8 de janeiro, e não em uma anistia ampla — cenário que desagradou a bancada bolsonarista.

Em reunião com Michel Temer (MDB) e Aécio Neves (PSDB-SP), Paulinho sugeriu até a mudança de nomenclatura, defendendo que a proposta passe a ser chamada de “PL da Dosimetria”.

Bolsonaristas, no entanto, rechaçam qualquer alternativa que não contemple a anistia irrestrita, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O líder do PL no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que não há acordo nesse sentido. Já Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, criticou a ideia de redução de penas, alegando que essa é uma atribuição exclusiva do Judiciário.

Paulinho da Força, próximo a ministros do STF e aliado de Lula (PT) em 2022, defende uma saída de “meio-termo” para viabilizar a votação tanto na Câmara quanto no Senado.

O texto original, de autoria de Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), prevê anistia a todos que participaram de manifestações políticas entre 30 de outubro de 2022 e a data da sanção da lei, incluindo manifestações em redes sociais. Essa redação poderia beneficiar os envolvidos no 8 de Janeiro, mas não alcançaria Bolsonaro e outros condenados por tentativa de golpe.

Fonte: METRÓPOLES