São Paulo – Um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo mais de 60 motéis movimentou R$ 450 milhões entre 2020 e 2024, segundo investigação da Receita Federal e do Ministério Público de São Paulo (MPSP). A ação, batizada Operação Spare, revelou que os estabelecimentos, frequentemente registrados em nome de “laranjas”, serviam para ocultar patrimônio de uma rede criminosa ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
O esquema, que teve como núcleo Flávio Silvério Siqueira, beneficiava os líderes da organização com R$ 45 milhões distribuídos em lucros e dividendos durante o período analisado. Restaurantes dos motéis, com CNPJs próprios, também integravam a fraude, chegando a distribuir R$ 1,7 milhão em lucros entre 2022 e 2023.
Além da exploração de jogos de azar, os valores ilícitos tinham origem em crimes contra as relações de consumo, como a venda de combustíveis adulterados e fraudes metrológicas. Empresas hoteleiras formalmente controladas por “laranjas” transferiam recursos para uma instituição financeira utilizada pela organização criminosa, misturando valores ilícitos com operações legais e permitindo que o dinheiro fosse enviado a terceiros sem rastros contábeis.
Os recursos eram inclusive utilizados para pagar dívidas pessoais de líderes da organização, incluindo Silvério e sua esposa, Sharon Nogueira. Entre os motéis citados estão Maramores, Uma Noite em Paris, Chamour e Vison.
O MPSP detalhou que a complexidade e extensão da rede exigiram uma contabilidade paralela para o controle das operações ilícitas. A CNN tenta contato com os citados.
Fonte: CNN


