Projeto de anistia acirra conflitos partidários em meio a tensões no Congresso

O debate sobre a eventual anistia a condenados pela trama golpista tem gerado conflitos intensos entre partidos, em um contexto já marcado por quedas de braço internas no Congresso Nacional.

Ainda não há previsão para a votação do projeto na Câmara. O relator, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), tem se reunido com bancadas na tentativa de buscar um consenso sobre o teor do texto, que poderia apenas reduzir penas de condenados.

O PL defende uma anistia ampla, geral e irrestrita, enquanto o PT se posiciona contra qualquer benefício, visando impedir que o ex-presidente Jair Bolsonaro seja favorecido. Partidos do centrão sugerem uma eventual redução de penas, mas sem alterar a inelegibilidade do ex-presidente. A atuação de Eduardo Bolsonaro em defesa da anistia ampla também tem gerado desconforto dentro de parte da direita.

Além das divergências internas, o clima entre Câmara e Senado cria incerteza sobre a aprovação do projeto. Deputados temem repetir o episódio da PEC da Blindagem, que foi aprovada na Câmara, mas rejeitada pelo Senado, deixando a Casa exposta politicamente.

Paulinho da Força também causou mal-estar ao vincular a votação da anistia à aprovação do projeto de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, ligação que foi desmentida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A isenção do IR, promessa de campanha do governo, será analisada independentemente do andamento da anistia e precisa ser aprovada até o fim do ano.

Fonte: CNN