Pesquisadores da Universidade de Indiana (EUA) revelaram um mecanismo inédito de ação do paracetamol, um dos analgésicos mais usados no mundo. O estudo, publicado na revista Cell Reports Medicine, pode contribuir para o desenvolvimento de medicamentos mais eficazes e com menor risco de toxicidade.
Até hoje, acreditava-se que o paracetamol aliviava a dor ao aumentar os níveis de endocanabinoides — moléculas que modulam funções como dor, humor e sono — no organismo. A nova pesquisa, porém, mostrou o contrário: o fármaco reduz a produção do endocanabinoide 2-AG, diminuindo a dor em vez de intensificar esses sinais químicos.
Os testes em camundongos demonstraram que o paracetamol bloqueia a enzima que produz o 2-AG, o que gera menos ativação dos receptores CB1, tradicionalmente ligados ao alívio da dor. Esse achado desafia décadas de consenso científico.
O resultado é relevante diante da toxicidade do paracetamol: somente nos EUA, o medicamento causa cerca de 500 mortes por overdose a cada ano e é a segunda principal causa de transplante de fígado no mundo.
De acordo com os autores, compreender esse novo alvo enzimático pode abrir caminho para analgésicos com menos efeitos colaterais. “Nossa pesquisa sugere que essa enzima pode ser o alvo, permitindo o desenvolvimento de medicamentos mais seguros”, destacou Alex Straiker, do Instituto Gill, em comunicado.
Fonte: CNN


