Reconhecimento facial com IA falha para pessoas com condições que alteram o rosto

De filtros de selfie a sistemas de verificação em bancos e órgãos públicos, o reconhecimento facial com inteligência artificial (IA) se tornou parte do cotidiano. No entanto, para milhões de pessoas com condições que afetam as características faciais, a tecnologia tem falhado de forma significativa. Rostos com marcas de nascença, assimetrias, deformações ou condições craniofaciais muitas vezes não são reconhecidos como “rostos humanos” por algoritmos que deveriam facilitar o acesso a serviços essenciais.

Segundo a organização Face Equality International (FEI), mais de 100 milhões de pessoas no mundo vivem com algum tipo de condição genética, acidente, cirurgia ou marca permanente que altera a face. Para muitas delas, o avanço da IA trouxe novas barreiras em vez de inclusão.

Os sistemas de reconhecimento facial utilizam medidas como a distância entre os olhos ou o formato do maxilar para identificar indivíduos. Quando o rosto foge do padrão presente nos bancos de dados usados para treinar os algoritmos, o sistema falha. Isso ocorre em situações cada vez mais comuns, como abrir contas bancárias, solicitar documentos oficiais, desbloquear celulares ou utilizar filtros de redes sociais.

Casos recentes destacam essa exclusão digital: Autumn Gardiner (Connecticut) teve sua atualização de carteira de motorista recusada; Crystal Hodges (Arizona) não conseguia acessar seu relatório de crédito; Noor Al-Khaled (Maryland) não pôde criar uma conta na Previdência Social dos EUA; e o ator Corey R. Taylor (Nova York) precisou se contorcer para que um aplicativo financeiro o reconhecesse, ainda recebendo respostas automáticas de erro.

Especialistas apontam que o problema está na falta de diversidade nos conjuntos de dados usados para treinar a IA, geralmente compostos por rostos simétricos e sem cicatrizes. “Se pessoas com deficiências ou diferenças faciais não forem incluídas no desenvolvimento dessas tecnologias, ninguém vai pensar nesses problemas”, alerta Kathleen Bogart, pesquisadora da Universidade Estadual do Oregon.

A FEI e outras entidades defendem medidas urgentes, como métodos alternativos de verificação e treinamento de funcionários humanos para intervir quando o algoritmo falha. À medida que a IA se torna o “porteiro digital” da sociedade, garantir que ela reconheça todos os rostos é considerado essencial.

Fonte: CNN