O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu uma “reforma policial abrangente” no Brasil após a megaoperação contra o Comando Vermelho nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que resultou na morte de 119 pessoas, segundo o governo estadual. A ação é considerada a mais letal da história do Rio.
O alto comissário Volker Türk afirmou compreender os desafios de lidar com grupos criminosos violentos, mas destacou que o elevado número de mortes – que afetam de forma desproporcional pessoas de ascendência africana – levanta questões sobre a condução dessas operações. Ele enfatizou a necessidade de que a força policial seja usada apenas quando estritamente necessária, respeitando os princípios de legalidade, necessidade, proporcionalidade e não discriminação.
Türk defendeu “investigações rápidas, independentes e eficazes” sobre a operação, além do estabelecimento de mecanismos de apoio a famílias e comunidades afetadas. O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou estar “gravemente preocupado” com o número de vítimas e reforçou que o uso da força em operações policiais deve seguir a lei internacional de direitos humanos.
Segundo dados divulgados pelo governo do Rio de Janeiro, a operação resultou em 119 mortos (58 durante a ação e 61 corpos encontrados em áreas de mata), 113 presos, incluindo 33 de outros estados, 10 menores apreendidos, 118 armas apreendidas e 14 artefatos explosivos. A Defensoria Pública do Rio contabilizou 132 vítimas no total, incluindo 128 civis e quatro policiais.
O ativista Raull Santiago relatou cenas de grande impacto para os moradores da região da Penha, descrevendo filas de corpos na Praça da Penha e famílias em luto profundo.
Fonte: CNN


