A professora da rede municipal de ensino infantil de Ribeirão Preto (SP), Aline Bardy Dutra, conhecida nas redes sociais como “Esquerdogata”, passou a ser investigada em um processo administrativo disciplinar (PAD) após suspeita de irregularidades em mais de 100 atestados médicos apresentados para justificar faltas ao trabalho. O procedimento foi anunciado pelo prefeito Ricardo Silva (PSD) em coletiva nesta quarta-feira (29).
A investigação ocorre depois que a influenciadora foi detida no último sábado (25) durante uma blitz da Polícia Militar, sob acusações de desacato, resistência e injúria racial. Segundo o prefeito, Aline acumulou faltas injustificadas ao longo dos anos e algumas justificativas médicas precisam ser verificadas quanto à veracidade.
“Vamos analisar cada atestado, cada conduta médica, inclusive para entender se são atestados com conteúdo de veracidade”, afirmou Silva.
O PAD tem previsão de conclusão entre 60 e 90 dias e pode resultar em diversas penalidades, incluindo a demissão da servidora. A Câmara Municipal também enviou um ofício solicitando a exoneração de Aline, considerando algumas de suas atitudes incompatíveis com a função pública.
Durante a abordagem, a influenciadora apresentava sinais de embriaguez e, em vídeos que circulam nas redes sociais, fez comentários irônicos sobre policiais e salários, criticando a classe dos agentes.
Repercussão política
O PT de Ribeirão Preto estuda a possível desfiliação da influenciadora, que é filiada há três anos e meio e produz conteúdos sobre política, cultura e direitos humanos. Segundo o presidente municipal do partido, Edson Fedelino, a decisão sobre a expulsão ainda depende de trâmites internos. A defesa de Aline afirmou que estará pronta para se manifestar caso o processo seja aberto, garantindo que o procedimento respeitará o estatuto do partido.
Quem é a “Esquerdogata”?
Aline Bardy Dutra, de 45 anos, tem 880 mil seguidores no Instagram e se apresenta como “comunicadora popular”. Recentemente, ganhou destaque ao gravar vídeos em frente à casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, gerando polêmica por comentários sobre orações e justiça. Em nota, sua defesa alegou que a reação aos policiais ocorreu devido ao uso social de álcool, medicamentos controlados e pânico diante da abordagem policial. A defesa também reforçou que Aline se dispõe a pedir desculpas aos policiais e a quem ofendeu.
Segundo registros do Tribunal de Justiça de São Paulo, Aline já foi condenada em outro processo por desacato contra policiais.
Fonte: G1


