O arsenal de 91 fuzis apreendido na megaoperação realizada na última terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, incluía armas pertencentes a forças armadas da Venezuela, Argentina, Peru e Brasil.
Segundo o delegado Vinicius Domingos, da Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos (CFAE), a descoberta chama atenção pelo caráter internacional do armamento.
“Chamou nossa atenção, embora não seja algo inédito, a presença de fuzis de forças armadas não só do Brasil como de outros países da América do Sul”, afirmou.
As insígnias e detalhes de parte dos 93 fuzis recolhidos estão auxiliando a Polícia Civil a dimensionar o poder de fogo do crime organizado nas comunidades cariocas e a mapear conexões do Comando Vermelho com quadrilhas de outros estados.
Os armamentos passarão por perícia para identificação de origem, fornecedores e rotas de entrada no país. Armas em bom estado poderão ser incorporadas ao arsenal da polícia.
Entre as peças, há inscrições e símbolos que remetem a facções criminosas, apelidos de traficantes e até crimes específicos, como o artigo 157 do Código Penal (roubo). Outras trazem marcas que indicam a presença de criminosos de fora do Rio, como a inscrição “baiano” — referência a membros do Comando Vermelho na Bahia — e “Tropa do Lampião”, relacionada a grupos do Nordeste.
Em um dos itens apreendidos, investigadores encontraram uma bandoleira com a inscrição “Complexo do Alemão” e o símbolo da facção Família do Norte, de Manaus.
A maior parte dos fuzis é dos calibres 5.56 e 7.62, de fabricação europeia. Segundo a polícia, muitas dessas armas entram no Brasil pelo Paraguai. Um dos modelos encontrados, o G3 — de origem alemã — é capaz de disparar até 10 tiros por segundo.
O delegado Domingos destacou que o cenário de poderio bélico nas mãos do crime é comparável apenas a países como Colômbia e México, onde grupos narcoterroristas utilizam armamento de guerra para controle territorial.
Entre janeiro e setembro deste ano, 593 fuzis foram apreendidos no Rio de Janeiro — o maior número desde o início da série histórica do Instituto de Segurança Pública (2007). O total representa cerca de 40% das 1.471 apreensões realizadas em todo o país. Em média, de cada cinco fuzis retirados das ruas no Brasil, dois estão no Rio.
A Polícia Federal também investiga uma quadrilha que fabricava armas destinadas a abastecer facções cariocas. O grupo, desmantelado há duas semanas, produzia cerca de 3.500 fuzis por ano, parte deles destinada a criminosos do Complexo do Alemão e da Rocinha.
Fonte: G1


