O Palácio do Planalto considera que a CPI do Crime Organizado, que será instalada na próxima terça-feira (4) no Senado, pode gerar maior desgaste político para o governo Lula do que a CPMI que investiga descontos irregulares de aposentados e pensionistas do INSS.
O colegiado terá como foco a atuação de milícias e facções criminosas, e foi anunciado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos.
Aliados do presidente Lula avaliam que a direita pode usar a pauta da segurança pública para tentar frear o crescimento da aprovação do governo. A preocupação é que, se a CPI monopolizar o debate, a oposição domine o Congresso e o governo perca espaço para explorar temas ligados à economia e políticas sociais, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a escala 6×1 no trabalho e a tarifa zero no transporte público.
Para minimizar riscos, o Planalto planejou que senadores da base aliada participem da comissão, incluindo o líder do governo, Jacques Wagner (PT-BA), Rogério Carvalho (PT-SE), e parlamentares do PSD e MDB. Já a oposição indicará nomes como Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Sergio Moro (Podemos-PR) e Marcos do Val (Podemos-ES).
O PT e o Planalto também pretendem pesquisar a percepção da população sobre a megaoperação nos complexos do Alemão e Penha, para orientar a atuação do governo no combate ao crime organizado.
Pesquisas recentes mostram apoio popular às operações e crescimento da aprovação do governador Cláudio Castro (PL-RJ). Um levantamento da Genial/Quaest apontou que 64% da população do Rio de Janeiro aprova a operação policial, enquanto o Datafolha registrou que 40% dos moradores da capital e região metropolitana consideram o governo estadual ótimo ou bom, o maior índice desde 2022.
Fonte: CNN


