As negociações entre as 194 delegações que participam da COP30, em Belém (PA), entraram nesta quinta-feira (13) no quarto dia de debates marcados por divergências crescentes entre países desenvolvidos e nações em desenvolvimento.
De um lado, os países ricos, liderados principalmente pelos europeus, pressionam por metas climáticas mais ambiciosas e revisões mais frequentes das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). Além disso, pedem maior transparência na implementação dessas metas e criticam países que ainda não apresentaram seus compromissos atualizados, como a Índia.
Do outro, as nações emergentes e em desenvolvimento insistem na aplicação do Artigo 9.1 do Acordo de Paris, que prevê a obrigatoriedade de os países desenvolvidos financiarem, com recursos públicos, a transição energética das economias mais frágeis. Esses países também denunciam o chamado “protecionismo verde”, termo usado para se referir a medidas comerciais unilaterais justificadas como ambientais — como o Mecanismo de Ajuste de Carbono nas Fronteiras (CBAM) e o EUDR, da União Europeia.
Apesar da pressão, os europeus têm resistido às exigências de financiamento e às críticas sobre as barreiras comerciais.
Em entrevista à CNN, Rachel Kyte, delegada do Reino Unido, reafirmou o posicionamento europeu:
“Alguns países, como Brasil e Reino Unido, têm planos alinhados à meta de neutralidade até o fim do século. Mas muitos outros apresentaram compromissos que não são ambiciosos o suficiente. Quando somamos tudo, ainda não estamos no caminho certo.”
Kyte também defendeu mudanças estruturais no sistema financeiro internacional, em linha com o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Podemos chegar a US$ 1,3 trilhão, mas precisamos ser inteligentes e mudar algumas regras financeiras. Muitos países pequenos e em desenvolvimento estão endividados — devem mais ao mundo desenvolvido do que recebem em investimentos — e isso precisa mudar”, afirmou.
Plenária Extraordinária
O chamado “protecionismo verde” será um dos principais temas da plenária extraordinária convocada para sábado (15) pelo presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago.
A reunião também abordará outros três pontos que ficaram fora da agenda mandatária da conferência:
O relatório de síntese das NDCs;
Os relatórios bienais de transparência (BTRs);
E as discussões sobre financiamento climático.
De acordo com a presidência da COP30, as próximas 48 horas serão dedicadas a consultas intensivas com delegações e blocos regionais, com o objetivo de reduzir impasses antes do retorno à pauta principal.
Fonte: CNN


