A Polícia Civil de São Paulo concluiu um novo organograma do Primeiro Comando da Capital (PCC), apontando uma estrutura mais sofisticada e segmentada da maior facção criminosa do país. O documento, elaborado pelo Departamento de Inteligência Policial (Dipol), identifica mais de 100 integrantes distribuídos em 12 “sintonias” — setores responsáveis por funções específicas — além do chamado “Setor do Raio X”, descrito como uma espécie de corregedoria interna.
Segundo o levantamento, 61 integrantes da cúpula estão presos, muitos no sistema penitenciário federal. Ainda assim, a organização mantém comando ativo e ramificações no Brasil e em pelo menos 28 países.
No topo da estrutura está a Sintonia Final, considerada o comando máximo da facção. O líder segue sendo Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, atualmente na Penitenciária Federal de Brasília. Ao lado dele aparecem Júlio César Guedes de Moraes, o Julinho Carambola; Rinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal; Cláudio Barbará da Silva, o Barbará; e Adeilton Gonçalves da Silva, o Maranhão — único fora do sistema prisional. O irmão de Marcola, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, o Marcolinha, figura como apoio direto da cúpula.
Abaixo desse núcleo está a Sintonia Final do Sistema, responsável por assegurar o cumprimento das ordens dentro das penitenciárias.
Uma das principais novidades identificadas pelo Dipol é a criação da Sintonia da Internet e Redes Sociais. O setor gerencia comunicações por aplicativos criptografados, controla o uso de redes sociais por integrantes, monitora conteúdos que possam expor a facção e atua para manter a “unidade ideológica” do grupo. Funciona como um núcleo técnico de suporte digital e garantia de discrição nas trocas de mensagens. De acordo com a investigação, seria comandado pelos presos André Luiz de Souza, o Andrezinho, e Eduardo Fernandes Dias, o Destino, ambos subordinados à Sintonia Final.
Outra inovação é o Setor do Raio X, apontado como uma corregedoria interna. A estrutura fiscaliza integrantes, audita contas, investiga condutas e aplica sanções disciplinares. O comando seria de Gratuliano de Souza Lira, o Quadrado.
A Sintonia Restrita concentra os assuntos mais sensíveis da organização. Entre os nomes citados estão André Luiz Meza Costa, o Pleiba, e Eduardo Marcos da Silva, o Dudinha. Ligado a ela há um braço tático operacional, com integrantes como André Vinícius Nunes de Souza, o Confusão, e Ivan Garcia Arruda, o Degola, este último preso. O núcleo atua na execução de decisões estratégicas de alto risco.
Responsável pela expansão fora de São Paulo e do país, a Sintonia dos Estados e Países coordena a atuação internacional e o tráfico. Estimativas do Ministério Público indicam que o PCC movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano, com presença na América do Sul, Europa, África e Ásia.
Voltada ao narcotráfico, a Sintonia do Progresso é descrita como o “motor de desenvolvimento interno”, responsável por garantir crescimento estruturado e lucrativo. Já a Sintonia da Rua organiza a atuação territorial e a execução de ordens no cotidiano, enquanto a Sintonia Interna mantém o controle dentro do sistema prisional, considerada a “espinha dorsal operacional” nas cadeias.
O setor financeiro é a chamada Sintonia da Padaria, responsável pela arrecadação e movimentação de recursos provenientes de contribuições internas e atividades ilícitas.
O documento também detalha o chamado Quadro dos 14, instância deliberativa encarregada de julgamentos internos e decisões disciplinares. Entre os nomes ligados ao grupo está Fernando Gonçalves dos Santos, o Azul ou Colorido, preso sob acusação de envolvimento no assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes.
Entre os associados citados aparecem Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho; Caio Bernasconi Braga, o Fantasma da Fronteira; e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, empresário investigado por fraudes bilionárias no setor de combustíveis, que nega ligação com a facção.
Fonte: METRÓPOLES


