A entrada do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto no apartamento onde a soldado Gisele Alves Santana foi encontrada baleada provocou tensão entre policiais e passou a ser ponto central nas investigações sobre o caso, que evoluiu para suspeita de feminicídio e possível fraude processual.
O imóvel ainda não havia sido periciado quando o oficial chegou e tentou acessar o local. Do lado de fora, equipes já haviam isolado a área para preservação de vestígios, procedimento padrão em ocorrências com vítima. Gisele foi encontrada ferida no dia 18 de fevereiro e levada em estado gravíssimo ao Hospital das Clínicas, onde morreu às 12h04.
Um cabo foi o primeiro a tentar impedir a entrada do superior, indicando que o espaço estava isolado e sugerindo que qualquer conversa ocorresse fora dali. Mesmo após a recomendação de um amigo, o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, para que não entrasse no imóvel, o coronel avançou e ultrapassou o limite de isolamento.
Dentro do apartamento, policiais que o acompanharam demonstraram cautela ao circular pelo ambiente, evitando pisar no sangue da vítima e reforçando a necessidade de preservação da cena para o trabalho pericial. Ainda assim, o oficial percorreu os cômodos, questionou a posição de objetos e fez comentários sobre o que observava.
Em determinado momento, ele pediu água e um policial foi até a cozinha buscá-la. Do lado de fora, a tensão aumentou. “O cara vai lavar a mão, caralho”, disse um cabo a um superior, em frase registrada no inquérito da Polícia Civil. A preocupação estava ligada ao exame residuográfico, capaz de identificar resíduos de disparo nas mãos de quem atirou. A possibilidade de higienização poderia comprometer provas relevantes.
Imagens e áudios de câmeras corporais mostram a dificuldade dos policiais em lidar com a situação, marcada pelo peso da hierarquia e pela necessidade de preservar vestígios. A circulação no interior do imóvel e a eventual alteração da cena passaram a ser analisadas pelos investigadores como fatores que podem ter interferido no andamento da apuração.
O caso, inicialmente tratado como morte a esclarecer, passou a ser investigado como feminicídio, com suspeitas adicionais de fraude processual, após registros que indicam tentativa de contenção do próprio superior por parte dos agentes presentes.
Fonte: METRÓPOLES


