O tenente-coronel Geraldo Neto, preso preventivamente sob suspeita de matar a esposa, Gisele Alves Santana, dentro do apartamento do casal no Brás, Centro de São Paulo, afirmou em interrogatório à Polícia Civil que a dependência financeira da vítima, agravada por empréstimos para procedimentos estéticos e construção de imóvel, dificultava o divórcio. Segundo ele, tentou viabilizar a separação oferecendo suporte financeiro e garantindo uma vaga de emprego para Gisele, com salário adicional de R$ 5 mil, que permitiria à esposa viver de forma independente com a filha do casal.
Geraldo foi detido em 18 de março e tornou-se réu por feminicídio e fraude processual. Segundo o Ministério Público, laudos periciais, reprodução simulada e análises de mensagens indicam que o oficial disparou contra a esposa, descartando a versão de suicídio apresentada por ele. As investigações mostram ainda que ele tentou manipular a cena do crime, o que fundamenta a imputação de fraude processual.
De acordo com o relato do tenente-coronel, no dia anterior ao crime, 17 de fevereiro, ele e Gisele conversaram por horas sobre a separação, revisando o relacionamento e demonstrando afeto, mas a decisão final sobre a separação foi adiada para o dia seguinte. Laudos e imagens de câmeras corporais da PM mostram a tentativa de Geraldo de controlar a cena, entrando e circulando pelo apartamento mesmo com advertências, reforçando suspeitas de homicídio doloso.
O feminicídio, crime doloso contra a vida, deve ser julgado na Justiça comum, possivelmente pelo Tribunal do Júri, com pedido do MP de indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares da vítima. A defesa nega o crime e questiona a competência da Justiça Militar, alegando colaboração com as investigações e mantendo a versão de suicídio.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de liberdade do tenente-coronel, mantendo sua prisão preventiva. A Secretaria da Segurança Pública informou que este é o primeiro caso desde 2015 de um oficial da Polícia Militar de São Paulo preso por feminicídio.
Fonte: G1


