O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), iniciou nesta sexta-feira (27) a leitura do relatório final dos trabalhos, propondo o indiciamento de cerca de 220 pessoas investigadas por suspeitas de participação em um esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Entre os citados estão parlamentares, ex-ministros, dirigentes de estatais, representantes de instituições financeiras, servidores públicos e o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o relator, ele teria recebido repasses do operador Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, por intermédio da empresária Roberta Luchsinger.
O relatório também pede o indiciamento de ex-ministros como José Carlos Oliveira — que posteriormente adotou o nome Mohamad Oliveira Andrade e foi titular do Trabalho e Previdência no governo Jair Bolsonaro — e Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência no atual governo Lula. O documento aponta ainda nomes como o ex-deputado e ex-ministro José Sarney Filho (Zequinha Sarney), além de parlamentares como Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), Gorete Pereira (MDB-CE) e o senador Weverton Rocha (PDT-MA).
Entre representantes do sistema financeiro, o relatório menciona Daniel Vorcaro, controlador do banco Master, além de executivos do Banco C6 Consignado, PicPay Bank e da própria instituição Master, apontando falhas de supervisão e governança. Também foram citados dirigentes e ex-dirigentes do INSS e da Dataprev, incluindo ex-presidentes do instituto em diferentes gestões, servidores e funcionários ligados à Caixa Econômica Federal.
A comissão ainda incluiu operadores do esquema e dirigentes de entidades associativas investigadas, como o próprio “Careca do INSS”, familiares, empresários e advogados apontados como integrantes do núcleo financeiro e de lavagem de dinheiro da organização criminosa.
Apesar da leitura iniciada, o relatório ainda precisa ser votado pelos integrantes da CPMI, que poderão aprovar ou rejeitar as propostas de indiciamento e recomendações apresentadas. O documento, concluído durante a madrugada, tem cerca de 4.400 páginas.
A sessão foi marcada por tensão e bate-boca entre parlamentares. Questionamentos ao relator e troca de xingamentos interromperam a leitura. Houve pedido para que as ofensas não constassem nas notas taquigráficas, mas o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), rejeitou a solicitação. Ele também negou requerimentos da oposição para retirar o deputado Lindbergh Faria (PT-RJ) da sessão, citado como autor de ofensas.
Os trabalhos chegaram a ser suspensos por alguns minutos porque o documento oficial ainda não havia sido disponibilizado no sistema da comissão. A previsão inicial era de pausa de 15 minutos, mas a sessão foi retomada antes após o texto ser publicado on-line. No momento da abertura, havia cerca de 30 parlamentares presentes — 18 da base governista e 11 da oposição.
Criada em 2025, a CPMI do INSS investiga suspeitas de descontos irregulares aplicados a aposentados e pensionistas por entidades associativas sem autorização. A comissão foi instalada em agosto daquele ano e, ao longo de cerca de seis meses, ouviu servidores, representantes das entidades investigadas, beneficiários atingidos e integrantes de órgãos como Polícia Federal, Controladoria-Geral da União e Ministério da Previdência.
As investigações apontaram fragilidades no sistema de autorização dos descontos e falhas de fiscalização. O colegiado também aprovou quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático e reuniu milhares de páginas de documentos.
Nas últimas semanas, houve impasse sobre a prorrogação dos trabalhos. O tema chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu derrubar a extensão do prazo. Com isso, o limite para leitura e votação do relatório voltou a ser o sábado (28). O presidente da CPMI afirmou que poderá convocar reunião de emergência caso haja pedido de vista.
Fonte: G1


