Morte de jovem baleado em SP expõe contradições e levanta suspeitas de falha na investigação

A morte do sapateiro Vinicius Oliveira França, de 23 anos, na zona sul de São Paulo, segue cercada de dúvidas e inconsistências que ampliam a pressão por esclarecimentos. O jovem foi atingido por um disparo enquanto pilotava sua moto, na noite de 14 de abril, a caminho de um atendimento de trabalho, e ainda percorreu parte do trajeto antes de cair ao lado de um ônibus.

Imagens de câmeras de segurança mostram dois momentos distintos: inicialmente, Vinicius aparece pilotando normalmente, com capacete, na Avenida Ângelo Cristianini. Minutos depois, já na Avenida Pedro de Avos, surge sem o equipamento de segurança, instantes antes de perder o controle do veículo e cair. Testemunhas acreditaram se tratar de um acidente, já que não houve relato de som de disparos.

No Hospital Geral de Pedreira, para onde foi levado, uma médica identificou um ferimento por arma de fogo no braço esquerdo, informação repassada à família e que mudou completamente a linha inicial do caso. Segundo registros do 98º Distrito Policial, o projétil atravessou o corpo, saindo pela região da clavícula, causando fraturas. Mesmo ferido, o jovem continuou pilotando por alguns minutos.

No entanto, a declaração de óbito aponta “politraumatismo” como causa da morte, sem menção ao disparo. A divergência entre os documentos gerou desconfiança na família. A Secretaria Estadual da Saúde informou que, em casos suspeitos ou violentos, o preenchimento do documento é de responsabilidade do Instituto Médico Legal (IML), e não do hospital.

Outro ponto que levanta questionamentos é a presença de policiais militares no hospital antes de esclarecimentos oficiais. A mãe da vítima relatou estranhamento com a quantidade de agentes e afirmou ter sido questionada sobre antecedentes do filho, o que, segundo ela, não corresponde ao perfil do jovem.

O boletim de ocorrência também indica que não houve colisão com o ônibus, reforçando a hipótese de que o disparo ocorreu antes da queda. Ainda assim, não há confirmação sobre autoria, motivação ou circunstâncias do tiro.

Entre as hipóteses levantadas estão tentativa de assalto, conflito de trânsito ou até possível ação policial, nenhuma confirmada até o momento.

Descrito por familiares como trabalhador e sem histórico de conflitos, Vinicius realizava serviços de sapataria e atendimentos externos. A família cobra respostas e afirma que a principal necessidade agora é esclarecer o que ocorreu.

O caso segue sob investigação, sem conclusão sobre os pontos centrais que cercam a morte do jovem.

Fonte: METRÓPOLES