Data centers avançam e já pressionam energia — conta de luz pode sentir impacto

O crescimento acelerado dos data centers — estruturas essenciais para o funcionamento de serviços digitais — acendeu um alerta sobre o consumo de energia e possíveis impactos nas contas de luz. Embora ainda representem uma fatia pequena no Brasil, especialistas apontam que a expansão desse setor pode pressionar a rede elétrica e gerar custos indiretos para a população.

Esses centros de processamento de dados operam 24 horas por dia e exigem grande quantidade de eletricidade para manter servidores de alto desempenho em funcionamento, além de sistemas intensivos de resfriamento. O avanço da inteligência artificial, que demanda maior capacidade computacional, tem ampliado ainda mais esse consumo energético.

Nos Estados Unidos, regiões com alta concentração de data centers já registraram aumento expressivo no custo da eletricidade no mercado atacadista. Um levantamento da Bloomberg mostrou que, em algumas áreas, os preços subiram até 267% em cinco anos. Embora esse aumento não chegue imediatamente ao consumidor, ele pode ser repassado gradualmente nas tarifas finais.

No Brasil, o cenário ainda é inicial, mas o crescimento do setor preocupa. Projetos como o Scala AI City, em Eldorado do Sul (RS), podem atingir capacidade de 4,75 gigawatts — superior à da usina de Jirau. Esse tipo de demanda exige expansão da infraestrutura elétrica, incluindo novas usinas, linhas de transmissão e subestações.

Além da energia, há impacto no uso de água, já que muitos data centers dependem de sistemas de resfriamento que consomem grandes volumes. Outro ponto sensível é o modelo de custos: em alguns casos, especialistas apontam que empresas não arcam proporcionalmente com o consumo, o que pode gerar repasses indiretos à população.

Casos internacionais reforçam o alerta. Em locais como Illinois e Loudoun County, nos EUA, houve associação entre a expansão desses centros e o aumento nas contas de luz e água. Já cidades como Amsterdã chegaram a suspender novos projetos diante do risco de sobrecarga na rede elétrica.

Projeções indicam que o impacto tende a crescer. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o consumo global de eletricidade por data centers pode mais que dobrar até 2030, alcançando cerca de 945 TWh. No Brasil, estudo da Brasscom estima que a participação no consumo nacional pode chegar a 3,6% até 2029, ante 1,7% em 2024.

Apesar de ainda limitado no cenário geral, o avanço rápido do setor coloca o tema no centro do debate energético. A expansão tecnológica, cada vez mais dependente de dados e inteligência artificial, pode trazer benefícios econômicos — mas também levanta dúvidas sobre quem vai pagar essa conta.

Fonte: CNN