Após a derrota de Jorge Messias no Senado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a defender uma possível mudança de rota: a ida do advogado-geral da União para o Ministério da Justiça, em substituição ao retorno à Advocacia-Geral da União.
A articulação, segundo interlocutores do governo, ganharia força como resposta política ao revés sofrido na Casa Legislativa, onde Messias foi derrotado por 42 votos a 34 para ocupar uma cadeira no STF.
Na avaliação de parte do entorno do presidente, caso assumisse o Ministério da Justiça, Messias teria sob sua responsabilidade a Polícia Federal em um momento em que avançam investigações do chamado caso Master, que poderia alcançar figuras ligadas ao Centrão.
O processo está sob relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal, apontado por aliados de Messias como um de seus principais apoiadores dentro da Corte.
Entre os pontos investigados pela Polícia Federal estão aportes de R$ 400 milhões do Instituto de Previdência do Amapá (Amprev) no Banco Master. Segundo apurações, as operações teriam sido realizadas mesmo diante de alertas de risco. O então presidente do instituto, Jocildo Silva Lemos, que é aliado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), é investigado no caso e chegou a ser alvo de busca e apreensão, além de ter deixado o cargo.
A derrota de Messias no Senado ocorreu em meio a um cenário de tensão política entre o Planalto e lideranças do Congresso. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, teria demonstrado resistência à indicação desde o início, defendendo o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga no STF.
Fontes ligadas ao governo atribuem o resultado a um conjunto de fatores, incluindo mudanças de posicionamento de parlamentares e disputas internas no Senado. Nesse contexto, o grupo político ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, é citado por interlocutores como peça relevante na articulação contra a indicação, embora não haja confirmação oficial sobre coordenação direta.
Fonte: G1


