De PIX ao PCC: Lula e Trump se reúnem em encontro decisivo e tensão domina pauta bilateral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúnem nesta quinta-feira (7), em Washington, em um encontro marcado por temas sensíveis envolvendo economia, segurança, geopolítica e eleições.

A reunião ocorre na Casa Branca e é considerada estratégica para tentar normalizar as relações entre os dois países após a aplicação de tarifas contra produtos brasileiros e sanções contra autoridades nacionais pelos Estados Unidos.

O encontro será o segundo presencial entre Lula e Trump. Antes disso, os dois já haviam se encontrado em um evento na Malásia e conversado durante a Assembleia Geral da ONU. Na última sexta-feira (1º), os presidentes também falaram por telefone em uma conversa descrita pelo governo brasileiro como “amistosa”.

Entre os principais temas da reunião está o combate ao crime organizado. O governo norte-americano avalia classificar facções brasileiras como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como grupos terroristas.

Segundo fontes ligadas ao governo Trump, o secretário de Estado Marco Rubio defende a medida, nos moldes do que já ocorreu com organizações criminosas do México e da Venezuela. O governo brasileiro tenta barrar essa classificação e argumenta que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio de cooperação bilateral.

Nos bastidores do Planalto, existe receio de que uma eventual classificação abra margem para ações mais duras dos Estados Unidos contra o Brasil. Em um cenário extremo, aliados de Lula avaliam que isso poderia até servir como justificativa para operações externas norte-americanas.

Outro ponto delicado envolve o PIX. O sistema brasileiro está sendo investigado pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA, que vê a ferramenta como potencial ameaça a empresas americanas de pagamentos eletrônicos.

O governo brasileiro rebate as acusações e afirma que o PIX não discrimina empresas estrangeiras. Lula transformou o sistema em símbolo de soberania nacional e pretende usar a reunião para tentar evitar medidas comerciais contra o Brasil.

Na área internacional, Lula e Trump também acumulam divergências sobre conflitos globais. O governo brasileiro criticou ações militares recentes dos Estados Unidos contra Venezuela e Irã, enquanto Lula já declarou publicamente que Trump “não foi eleito imperador do mundo”.

A pauta inclui ainda as chamadas terras raras, minerais estratégicos para tecnologia, inteligência artificial e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do mundo e tenta manter controle nacional sobre a exploração dos recursos.

O governo brasileiro também quer discutir um compromisso informal de não interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de outubro. Segundo apuração da jornalista Andreia Sadi, Lula busca evitar qualquer aproximação do governo Trump com aliados bolsonaristas, especialmente com Flávio Bolsonaro.

Nos bastidores, o encontro é visto pelo Planalto como uma oportunidade para Lula reforçar sua imagem internacional em meio a desgastes políticos internos.

Fonte: G1