Trump elogia Lula após reunião de 3 horas na Casa Branca e foco em tarifas expõe nova fase da relação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu nesta sexta-feira (8) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em sua primeira visita oficial à Casa Branca desde o início da atual gestão americana. O encontro durou cerca de três horas e marcou uma tentativa de aproximação entre dois líderes que, até poucos meses atrás, trocavam críticas públicas.

Após a reunião, Trump fez elogios a Lula nas redes sociais e classificou o encontro como “muito bom”. Em publicação na Truth Social, o republicano chamou o brasileiro de “dinâmico” e destacou que os dois discutiram comércio internacional e tarifas sobre produtos brasileiros.

Segundo Trump, novas reuniões entre representantes dos dois países já estão previstas para os próximos meses para tratar de pontos considerados estratégicos na relação bilateral.

Lula chegou à Casa Branca por volta das 12h20 no horário de Brasília e foi recebido pessoalmente por Trump na entrada da residência oficial americana. O presidente brasileiro esteve acompanhado de ministros das áreas de Desenvolvimento, Minas e Energia, Fazenda, Justiça e Relações Exteriores. Já Trump levou integrantes centrais do governo, incluindo o vice-presidente J.D. Vance e secretários ligados à economia e comércio exterior.

A programação original previa uma conversa com a imprensa antes da reunião reservada, mas a ordem foi alterada a pedido da delegação brasileira. A mudança ocorreu após o desconforto enfrentado por Lula durante um encontro anterior com Trump, realizado na Malásia em outubro do ano passado, quando o presidente brasileiro demonstrou irritação com o excesso de perguntas antes da conversa oficial entre os líderes.

Desta vez, Lula e Trump conversaram primeiro a portas fechadas por mais de uma hora. Entre os principais temas discutidos estiveram as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, além de segurança pública, comércio internacional e cooperação econômica.

Após a reunião, Trump levou Lula para um pequeno tour pela área externa da Casa Branca. Os dois foram fotografados sorrindo diante de retratos de ex-presidentes americanos. Em seguida, participaram de um almoço oficial.

A expectativa era de uma declaração conjunta no Salão Oval, mas a coletiva foi cancelada sem explicação oficial por parte da Casa Branca ou do Palácio do Planalto. Lula deve falar posteriormente com jornalistas na embaixada brasileira em Washington.

O encontro acontece em um momento delicado das relações entre Brasil e Estados Unidos. O governo Lula tenta evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros e também busca ampliar a cooperação no combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro.

Nos bastidores, o Planalto também tenta impedir que facções criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, sejam classificadas pelos EUA como organizações terroristas — medida defendida por setores do governo Trump e considerada sensível pelo Brasil, que teme possíveis interferências americanas em território nacional.

Outro ponto estratégico da reunião envolve os interesses econômicos dos Estados Unidos em áreas como alimentos e minerais críticos. O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do planeta, essenciais para a produção de tecnologias avançadas e equipamentos militares.

Apesar da aproximação, divergências permanecem. O governo Lula já indicou que não pretende transformar o Brasil em fornecedor exclusivo de minerais estratégicos para os americanos.

A reunião também representa uma mudança significativa no tom entre os dois presidentes. Em 2025, Lula chegou a afirmar que Trump agia como um “imperador” e acusou o americano de interferência estrangeira após o aumento das tarifas contra produtos brasileiros. Trump, por sua vez, mantinha proximidade política com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mesmo com o histórico de tensão, o encontro na Casa Branca sinaliza uma tentativa de reconstrução da relação entre os dois governos em meio à disputa global entre Estados Unidos e China e ao novo cenário econômico internacional.

Fonte: G1