A Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU) anunciou o afastamento imediato de um narrador após comentários homofóbicos e misóginos feitos durante a transmissão oficial dos Jogos Universitários Brasileiros de Praia (JUBs Praia 2026), realizados em Guarapari, no Espírito Santo.
As falas tiveram como alvo a atleta Carina Rocha, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), durante uma partida disputada na terça-feira (5). Em vídeo da transmissão, é possível ouvir comentários como “Oxe, pode homem também?”, “Olha o camisa 10” e “Ah, mas pelada é mulher”, seguidos de risadas.
Após a repercussão do caso, a CBDU informou que determinou a “exclusão imediata do investigado” e afirmou que manifestações discriminatórias são incompatíveis com os valores do esporte universitário.
“Diante dos episódios ocorridos durante as transmissões do JUBs Praia 2026, a entidade informa que, ao tomar conhecimento do caso, determinou a exclusão imediata do investigado, em sinal claro de que a CBDU não tolera atitudes ofensivas”, declarou a entidade.
Segundo a confederação, a empresa responsável pela transmissão também iniciou procedimentos internos para apurar o episódio. O caso está sendo acompanhado pela Comissão Disciplinar e pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva Universitário (STJDU).
Até o momento, a identidade dos narradores envolvidos não foi divulgada.
A atleta Carina Rocha publicou o vídeo nas redes sociais e criticou duramente o comportamento da equipe de transmissão. Segundo ela, os comentários ultrapassaram qualquer limite aceitável.
“O que aconteceu no segundo dia passou de quaisquer limites. Comentários com teor machista e homofóbico não são brincadeira, não são opinião e muito menos fazem parte de uma boa narração. Isso é desrespeito. É inaceitável. É crime”, escreveu.
A repercussão provocou manifestações de repúdio de entidades ligadas à universidade catarinense.
A Udesc Esportes afirmou já ter adotado providências e classificou o episódio como discriminação de gênero. Em nota oficial, a universidade declarou que não há espaço para condutas que atentem contra a dignidade humana e cobrou rigor na apuração.
“Não há espaço, no esporte universitário ou em qualquer ambiente institucional, para condutas que atentem contra a dignidade humana”, afirmou a instituição.
A Associação Atlética do Centro de Ciências da Saúde e do Esporte (Cefid), da Udesc, também repudiou as falas e destacou que comentários machistas e homofóbicos não representam os valores do esporte universitário.
“Respeito não é opcional. É essencial”, declarou a atlética em nota.
O caso reacende o debate sobre preconceito em transmissões esportivas e pressão por medidas mais rígidas contra manifestações discriminatórias em competições universitárias e profissionais.


