A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) em listas ligadas ao terrorismo segue um modelo já aplicado anteriormente contra cartéis mexicanos. Em fevereiro de 2025, o governo americano incluiu seis cartéis do México e duas gangues latino-americanas como organizações terroristas, ampliando instrumentos jurídicos e financeiros para combater o narcotráfico internacional.
Na prática, a medida permitiu aos EUA bloquear bens, aplicar sanções financeiras, investigar redes internacionais e punir pessoas e empresas suspeitas de colaborar com os grupos criminosos.
No México, porém, a decisão provocou forte reação política e diplomática. A presidente Claudia Sheinbaum afirmou que o país não aceitaria qualquer tipo de intervenção militar americana em território mexicano e reforçou o discurso de defesa da soberania nacional.
O governo mexicano também passou a discutir restrições à atuação de agentes estrangeiros no país e anunciou medidas para endurecer punições relacionadas ao tráfico ilegal de armas.

A tensão aumentou após integrantes do governo dos EUA defenderem ações mais duras contra os cartéis, incluindo possíveis operações militares. Autoridades mexicanas acusaram Washington de usar o combate ao narcotráfico como justificativa para ampliar sua influência sobre a segurança do país.
Apesar da pressão internacional, especialistas apontam que o impacto prático sobre os cartéis mexicanos foi limitado até agora. As organizações criminosas seguem mantendo forte presença territorial, poder financeiro e influência em várias regiões do México.
Agora, PCC e CV passam a integrar duas listas oficiais dos Estados Unidos voltadas ao combate ao terrorismo e ao crime organizado internacional. Segundo o Departamento de Estado, as facções brasileiras serão classificadas como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e também como “Organizações Terroristas Estrangeiras”.
As medidas permitem congelamento de ativos, sanções econômicas e punições contra pessoas, empresas ou entidades acusadas de fornecer apoio material às facções. Em casos ligados a mortes, as penas previstas pela legislação americana podem chegar à prisão perpétua.
O governo dos EUA afirma que a decisão busca ampliar o combate a organizações transnacionais envolvidas com tráfico de drogas, armas, lavagem de dinheiro e violência organizada. A expectativa é de aumento da cooperação internacional em investigações financeiras e operações fora do Brasil.
Fonte: OGLOBO



