A ofensiva dos Estados Unidos contra o Pix abriu uma nova frente de embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como provável adversário do petista na disputa presidencial de 2026.
A crise começou após um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e citar o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos como um dos fatores relacionados à medida. A partir daí, aliados de Lula passaram a explorar politicamente o tema, associando a proposta americana a reuniões de integrantes da família Bolsonaro com auxiliares do presidente dos EUA, Donald Trump.
O presidente reagiu publicamente em defesa do Pix, exibindo um cartaz com a frase “O Pix é do Brasil” e afirmando que os Estados Unidos têm “medo” da ferramenta. Nas redes sociais, parlamentares e militantes ligados ao governo criaram o apelido “Tariflávio” para vincular o senador à proposta de taxação.
Diante da repercussão, Flávio Bolsonaro iniciou uma contraofensiva. O senador enviou uma carta ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pedindo que as tarifas não sejam aplicadas e passou a divulgar a mensagem “O Pix é do Brasil e do Bolsonaro”. A estratégia do PL é destacar que o sistema foi lançado oficialmente em novembro de 2020, durante o governo de Jair Bolsonaro.
O debate também reacendeu a disputa sobre a origem do Pix. Enquanto aliados de Flávio ressaltam o lançamento durante a gestão Bolsonaro, o PT argumenta que as primeiras diretrizes para um sistema de pagamentos instantâneos começaram a ser desenvolvidas ainda nos governos anteriores. Documentos do Banco Central mostram estudos sobre pagamentos em tempo real desde 2014, durante o governo Dilma Rousseff, além de avanços técnicos nas gestões Michel Temer e Jair Bolsonaro.
O tema ganhou relevância política porque o Pix possui ampla aprovação popular. Os dois lados lembram que, em 2025, uma polêmica envolvendo uma norma da Receita Federal levou setores da oposição a afirmarem que o governo Lula pretendia taxar o sistema. A repercussão negativa resultou na revogação da medida e foi apontada como um dos fatores que afetaram a popularidade do presidente.
Atualmente, mais de 175 milhões de brasileiros já utilizaram o Pix. Em 2025, o sistema movimentou R$ 35,3 trilhões, consolidando-se como uma das principais ferramentas financeiras do país e transformando-se também em peça central da disputa política entre governo e oposição.
Fonte: METRÓPOLES


