O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira (5) que não vê motivos para realizar um encontro presencial com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. A declaração ocorre um dia após o líder ucraniano divulgar uma carta aberta propondo negociações diretas para buscar uma solução para a guerra.
Na avaliação de Putin, a mensagem enviada por Zelensky não representava uma tentativa sincera de diálogo. O líder russo afirmou que o documento continha observações consideradas grosseiras e sugeriu que o objetivo da carta seria evitar uma reunião entre os dois chefes de Estado, e não criar condições para que ela acontecesse.
A proposta de Zelensky foi divulgada na quinta-feira (4) e defendia um encontro presencial em um país neutro, fora da Rússia e da Ucrânia. O presidente ucraniano também sugeriu um cessar-fogo total durante as negociações e afirmou que chegou o momento de encerrar o conflito com garantias de que a guerra não volte a ocorrer.
Na carta, Zelensky critica a atuação de Putin nas últimas duas décadas e destaca consequências do conflito, como a morte de soldados e impactos econômicos em território russo. Entre os locais sugeridos para sediar as conversas estão Suíça, Turquia e países do mundo árabe.
O posicionamento do Kremlin mudou em relação ao dia anterior. Na quinta-feira, o porta-voz russo Dmitry Peskov havia declarado que Zelensky poderia visitar Moscou “a qualquer momento”. Segundo a mídia estatal, Putin ainda não havia tomado conhecimento da carta naquele momento.
Enquanto isso, nacionalistas russos classificaram a iniciativa do presidente ucraniano como uma manobra de relações públicas. Em encontro com a imprensa internacional, Putin voltou a afirmar que as forças russas seguem avançando no campo de batalha e declarou que as propostas de paz apresentadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderiam encerrar os combates caso Kiev aceitasse fazer concessões. Rússia e Ucrânia continuam se acusando mutuamente de bloquear as negociações.
Fonte: G1


