Escala 5×2 pode ser inviável para pequenas empresas, alerta presidente da Abras

A adoção da escala de trabalho 5×2 pode representar um desafio significativo para pequenas empresas do setor supermercadista, segundo o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi. A avaliação ocorre em meio ao avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e amplia o debate sobre a redução da jornada de trabalho no país.

De acordo com Galassi, a Abras começou a estudar alternativas de jornada antes mesmo da apresentação da PEC. A entidade realizou pesquisas e testes práticos com diferentes modelos, incluindo as escalas 12×36 e 5×2, mantendo a carga semanal de 44 horas.

Os estudos apontaram que a escala 5×2 é bem aceita pelos trabalhadores e pode ser implementada sem aumento de preços ao consumidor, desde que as 44 horas semanais sejam preservadas. Nesse formato, as horas trabalhadas seriam redistribuídas ao longo dos cinco dias da semana.

O presidente da Abras afirmou, porém, que a situação é mais complexa para pequenos estabelecimentos. Segundo ele, empresas com equipes reduzidas, como açougues e padarias, enfrentariam dificuldades para reorganizar suas escalas, especialmente em um cenário de redução da jornada para 40 horas semanais.

Galassi destacou ainda a estrutura do setor supermercadista brasileiro, caracterizada por forte pulverização. Enquanto países como Chile e Peru concentram a maior parte do faturamento em poucas empresas, no Brasil são necessárias mais de mil companhias para atingir 60% do faturamento total do segmento.

Diante desse cenário, a Abras defende que uma eventual redução da jornada seja implementada de forma gradual e alinhada à reforma tributária. A proposta é sincronizar a mudança com a conclusão da reforma, prevista para 2033, quando a cesta básica nacional deverá ter alíquota zero de impostos.

A entidade também apoia a criação do contrato horista, modelo que permitiria a formalização de trabalhadores informais e atenderia às necessidades de pequenas empresas. Segundo Galassi, o formato manteria direitos como férias, 13º salário e FGTS, oferecendo maior flexibilidade para empregadores e funcionários.

Para o presidente da Abras, existe consenso sobre a necessidade de discutir a redução da jornada de trabalho, mas a transição deve ocorrer de forma gradual para evitar impactos negativos sobre empresas, empregos e preços ao consumidor.

Fonte: CNN