Operação da Polícia Federal com buscas em endereços ligados ao senador petista ganha destaque em veículos estrangeiros e é associada ao governo Lula e à disputa eleitoral.
A nova fase das investigações da Polícia Federal sobre o caso Banco Master, que tem como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Luiz Inácio Lula da Silva no Senado, repercutiu na imprensa internacional nesta sexta-feira (19).
Na quinta-feira (18), endereços ligados ao senador foram alvo de mandados de busca e apreensão. Segundo a Polícia Federal, Wagner é apontado como “suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas”, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais. O senador nega irregularidades e não foi indiciado.
A investigação apura se ele teria recebido pagamentos e benefícios em troca de apoio a medidas no Congresso que poderiam favorecer o Banco Master, incluindo a chamada “Emenda Master”. Entre as suspeitas estão a compra de um apartamento de luxo em Salvador e um pagamento de R$ 3,5 milhões.
Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu cerca de US$ 55 mil e 33,5 mil euros em endereços ligados ao senador. Uma fonte ouvida pela BBC News Brasil afirmou que o dinheiro foi encontrado em dois locais vinculados a Wagner. O parlamentar confirmou que os valores são seus, mas negou qualquer irregularidade.
A repercussão internacional incluiu veículos como Al Jazeera, Clarín e Bloomberg.
A Al Jazeera afirmou que o escândalo do Banco Master “atingiu ambos os lados do espectro político brasileiro” e pode influenciar a disputa presidencial de 2026. O veículo também citou reportagens recentes sobre áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, em suposto pedido de financiamento para produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O jornal argentino Clarín destacou que a inclusão de um aliado próximo de Lula na investigação aproxima o caso do governo federal. A publicação também mencionou que o Banco Master teria passado por liquidação por insolvência em novembro, com dívidas superiores a US$ 7 bilhões envolvendo cerca de 800 mil investidores, posteriormente cobertas por fundo de garantia.
Segundo o Clarín, o escândalo passou a envolver diferentes figuras do espectro político após revelações relacionadas a Flávio Bolsonaro. O veículo também afirmou que o presidente Lula, que admitiu ter se encontrado com o banqueiro Daniel Vorcaro em 2024, prometeu investigação “até as últimas consequências”.
A Bloomberg informou que o caso envolvendo o Banco Master “atingiu políticos de todo o espectro político”, com potencial de impacto na campanha eleitoral brasileira a poucos meses do pleito. A agência também relatou que a campanha de Lula teria orientado aliados a defender publicamente Jaques Wagner, embora reconheça dificuldades em sustentar a narrativa de responsabilização exclusiva de adversários políticos.
A Reuters destacou que a operação da PF aproximou o escândalo do círculo mais próximo do presidente Lula, intensificando a atenção sobre a corrupção política no país em ano pré-eleitoral. A agência afirmou ainda que as conexões atribuídas a Wagner inserem o caso no entorno direto do presidente pela primeira vez.
Segundo a Reuters, Wagner possui ligação histórica com Lula, incluindo passagem por cargos no governo federal e atuação como governador da Bahia, onde consolidou apoio ao Partido dos Trabalhadores. A agência também indicou que a investigação pode influenciar o cenário político de 2026.
O Banco Master entrou no centro das investigações após suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo seu proprietário, Daniel Vorcaro, e possíveis relações com agentes públicos e políticos de diferentes partidos.
Fonte: G1


