Paraisópolis une Copa do Mundo e São João em festa que reúne moradores nas ruas de SP

Comunidade transformou ruas em espaços de confraternização com telões, forró, decoração temática e comidas típicas para acompanhar os jogos da Seleção Brasileira.

Na comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, a Copa do Mundo ganhou o clima das festas juninas. Com ruas decoradas em verde e amarelo, bandeiras do Brasil, comidas típicas e apresentações de forró, moradores transformaram o bairro em um grande ponto de encontro para torcer pela Seleção Brasileira e celebrar a cultura popular.

Com 58.527 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, Paraisópolis é a favela mais populosa da capital paulista. De acordo com a Secretaria Municipal de Habitação e a União dos Moradores de Paraisópolis, cerca de 85% dos moradores têm origem nordestina.

Ao longo de junho, a comunidade mantém a tradição dos festejos juninos. Neste ano, a programação incorporou a Copa do Mundo, reunindo decoração temática e transmissões coletivas das partidas.

Na Rua Wilson, uma das principais vias da comunidade, a entrada foi decorada com uma cortina típica de São João em cores vibrantes e estampas florais. No centro da ornamentação, uma bola de futebol usando chapéu de palha simbolizava a união entre as duas celebrações. Balões juninos nas cores da Copa e bandeiras do Brasil completavam o cenário.

A festa na Rua Wilson é organizada por um grupo formado por 12 moradores e comerciantes. Um dos coordenadores da iniciativa é o empreendedor Samurai Cardoso, de 46 anos, que explicou que a decoração foi produzida por mulheres da própria comunidade e inspirada na cultura baiana.

“Esse tecido e essa decoração junto da Copa do Mundo foram pensados com referência à minha terra, a Bahia. Paraisópolis é nordestina, e tanto na Copa quanto no São João a gente mostra isso”, afirmou.

Segundo ele, a proposta busca fortalecer a convivência entre os moradores.

“Unir a Copa do Mundo com o São João da Wilson fica tudo maravilhoso. É hora de aproveitar, saborear a comida nordestina aqui na comunidade. E logo ali temos um telão para todos assistirem juntos. A ideia do telão é unir as pessoas, mostrar que a nossa comunidade é diferente, traz cultura, traz união, traz esse espírito de Copa do Mundo”, disse.

Uma das atrações da programação foi o forró ao vivo. Para a cantora Tejane Souza, de 32 anos, a combinação entre São João e Copa do Mundo reforça o sentimento de união.

“Eu acho que são duas festas que unem toda a nação brasileira e deixam a gente mais unido. O São João, que acontece todos os anos, é uma festa típica que reúne a família. E a Copa do Mundo, melhor ainda: é época de sentar com a galera e torcer pela nossa Seleção Brasileira. Vamos lá ganhar esse hexa, Brasil”, declarou.

Além da Rua Wilson, outros pontos da comunidade também receberam torcedores. Empreendedores locais montaram estrutura com telão e paredão de som para que os moradores acompanhassem juntos a partida da Seleção Brasileira.

A TBT Lounge, espaço de lazer e convivência em Paraisópolis, também reuniu moradores para assistir aos jogos em clima de confraternização.

No início da noite, a movimentação ainda era marcada pela rotina, com moradores retornando do trabalho, crianças chegando da escola e veículos circulando pelas ruas. Pouco antes da partida, o cenário mudou com a chegada de torcedores usando camisas da Seleção Brasileira, buzinas e adereços verde e amarelos.

Mais tarde, a rua ficou lotada diante do telão. Aos 11 minutos do primeiro tempo, um gol de Raphinha contra o Haiti chegou a ser comemorado, mas foi anulado por impedimento. Aos 23 minutos, Matheus Cunha marcou para o Brasil, provocando uma grande comemoração entre os moradores.

Para Mike Johnnatan, de 30 anos, acompanhar os jogos em grupo fortalece os laços da comunidade.

“Quando a gente assiste junto, acaba vibrando e abraçando a pessoa que está ao nosso lado, pessoas que vivem na nossa comunidade. Isso é muito valioso: a coletividade”, comentou.

Entre bandeirinhas, forró, culinária nordestina e torcida pela Seleção Brasileira, Paraisópolis transformou as ruas em um espaço de celebração que uniu duas das principais tradições populares do país.

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