Vitória de Abelardo de la Espriella na Colômbia altera equilíbrio ideológico no continente, que passa a ter maioria de governos de direita.
A vitória de Abelardo de la Espriella na eleição presidencial da Colômbia redefiniu o cenário político da América do Sul e deu à direita a maioria dos governos no continente, segundo a nova configuração apresentada após o pleito.
O candidato de direita foi declarado vencedor neste domingo (21), de acordo com apuração preliminar, em uma disputa apertada contra o esquerdista Iván Cepeda. Espriella obteve 49,66% dos votos, contra 48,7% do adversário, uma diferença de cerca de 250 mil votos. O resultado final ainda depende da conclusão do escrutínio oficial.
Com a mudança, a direita passa a controlar sete dos 12 países sul-americanos, superando a esquerda no número de governos em exercício.
A eleição colombiana também é apontada como parte de uma sequência recente de vitórias da direita na região, que inclui os resultados presidenciais no Chile, em dezembro de 2025, com José Antônio Kast, e na Bolívia, em outubro de 2025, com Rodrigo Paz.
No caso do Peru, o país aparece em indefinição devido à fase final de apuração. Ainda assim, o governo em transição é de orientação de direita, e a tendência eleitoral indica manutenção desse campo político, com a candidata Keiko Fujimori à frente na contagem parcial.
O cenário atual é descrito como resultado de uma alternância histórica de forças políticas na América do Sul. Após um período de predominância da esquerda no início do século 21, conhecido como “onda rosa”, o continente passou por uma nova inflexão com o fortalecimento de governos conservadores na última década.
A análise também aponta que, em 2015, a esquerda ocupava oito governos na região, contra quatro da direita. Três anos depois, houve inversão do quadro, com avanço dos conservadores. A partir de 2020, após o impacto da pandemia, o cenário voltou a se equilibrar até chegar à configuração atual, com divisão aproximada entre os blocos ideológicos.
Especialistas citados no contexto destacam que a região vive ciclos de alternância política influenciados por fatores econômicos, como o período de valorização das commodities nos anos 2000 e a posterior desaceleração após a crise global de 2008.
Também são apontados elementos estruturais, como desigualdade social, fragilidade institucional e polarização política, que contribuem para a instabilidade democrática e para mudanças frequentes de orientação ideológica nos governos.
O debate inclui ainda a avaliação de que a polarização crescente e o enfraquecimento do diálogo entre lideranças podem impactar a governabilidade e a cooperação regional.
Fonte: G1


