A seleção brasileira entra em campo nesta quarta-feira contra a Escócia com um objetivo que vai além da classificação para o mata-mata da Copa do Mundo de 2026. Além de garantir vaga na próxima fase, terminar na liderança do Grupo C permitirá à equipe manter por mais tempo a estrutura de preparação física e recuperação instalada em Nova Jersey.
O Brasil precisa de pelo menos um empate para avançar às fases eliminatórias. Em caso de vitória, assegura a primeira colocação da chave. Se perder, dependerá do resultado da partida entre Marrocos e Haiti para continuar na competição.
Nos bastidores da delegação, a liderança do grupo é considerada estratégica porque possibilita a permanência da seleção em sua base operacional montada desde o início do Mundial. A comissão técnica avalia que manter a mesma rotina de trabalho e recuperação pode representar uma vantagem importante em um torneio marcado por longos deslocamentos e curto intervalo entre os jogos.
Desde a chegada aos Estados Unidos, a delegação está hospedada no hotel The Ridge, em Morristown, Nova Jersey, e utiliza o centro de treinamento do New York Red Bulls como base. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) levou equipamentos próprios para recuperação muscular, fisioterapia, preparação física e avaliações médicas diárias.
De acordo com apuração de O Globo, a escolha de Morristown foi planejada pensando em toda a campanha da Copa do Mundo. A seleção permanecerá 23 dias na cidade, período que começou na preparação para o amistoso contra o Egito e inclui os dois primeiros compromissos do Mundial. A localização, a infraestrutura e a possibilidade de centralizar toda a operação da delegação foram determinantes para a decisão.
Caso avance em primeiro lugar e alcance a final, o roteiro previsto será: Houston, retorno a Nova Jersey, Miami, Atlanta e novamente Nova Jersey. Dessa forma, a equipe poderá voltar diversas vezes à sua base, preservando a rotina de preparação construída desde o início da competição.
Já uma classificação na segunda colocação do Grupo C obrigaria a seleção a enfrentar um percurso mais desgastante, com deslocamentos por Monterrey, no México, Houston, Boston, Dallas e Nova Jersey. Além das viagens mais longas, haveria necessidade de adaptação a diferentes hotéis, centros de treinamento e estruturas de trabalho.
O coordenador executivo geral das seleções masculinas da CBF, Rodrigo Caetano, afirmou que a prioridade é manter o plano inicial.
— Primeiro que a gente precisa vencer o último jogo. Esperar o resultado, principalmente do Marrocos. Para a gente saber se vai confirmar o primeiro lugar. Em confirmando, obviamente que não altera nada, e ficaremos, sim, em Nova Jersey, no mesmo hotel e no mesmo CT. Caso isso não ocorra e que tenhamos um outro caminho, a gente tem também um plano B e C. A gente só deixou claro desde o início que a nossa intenção é que o plano A, que é a permanência lá (em Morristown), fosse confirmado. Mas vai depender da última rodada. Primeiro de tudo é classificar bem, fazer um outro bom jogo e esperar o resultado do adversário — explicou.
A situação se torna ainda mais imprevisível caso o Brasil avance como um dos terceiros colocados. Nesse cenário, os 16 avos de final poderão ser disputados em Boston, Nova Jersey ou Cidade do México. As oitavas de final teriam como sedes Filadélfia ou Cidade do México, enquanto as quartas seriam realizadas em Miami ou Boston. Já a semifinal aconteceria em Dallas ou Atlanta.
Além da possibilidade de enfrentar adversários teoricamente mais acessíveis, a liderança do Grupo C é vista pela comissão técnica como um fator que pode reduzir o desgaste físico e logístico. Permanecer próximo da estrutura montada em Nova Jersey significa manter os mesmos protocolos de recuperação, evitar mudanças constantes de hotel e preservar a rotina de preparação durante a reta decisiva da Copa do Mundo.
Fonte: OGLOBO


