Dentista e veterinário vão a júri popular por morte de morador em situação de rua em Vila Velha

Uma dentista e um médico-veterinário serão julgados por homicídio qualificado pela morte de um morador em situação de rua, em Vila Velha, na Grande Vitória. Segundo a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), a vítima foi amarrada, espancada, teve as pernas quebradas e foi morta com tiros nas costas e na cabeça.

Os réus são a cirurgiã-dentista Gabriella Anacleto Kiefer e o veterinário Thiago Oliveira do Nascimento. De acordo com a 4ª Vara Criminal de Vila Velha, o júri popular está marcado para o dia 25, com início às 13h.

Gabriella foi presa em dezembro de 2024 dentro da própria clínica, em Vila Velha. Thiago, que na época era namorado da dentista, estava preso desde janeiro do mesmo ano.

De acordo com as investigações, o crime ocorreu em 2021, quando a clínica de Gabriella passava por reformas. Uma testemunha relatou que um homem em situação de rua teria entrado no imóvel para furtar objetos.

Segundo a denúncia, a dentista teria acompanhado a ação pelas câmeras de segurança e acionado Thiago. O veterinário teria ido até o local, rendido e agredido a vítima, colocando-a em uma caminhonete Fiat Toro branca, posteriormente identificada como pertencente à dentista.

O corpo do homem foi encontrado em agosto de 2021 às margens da Rodovia Leste-Oeste, na entrada do bairro Vale Encantado, em Vila Velha. A vítima não foi identificada e apresentava marcas de tiros, além de sinais de violência, como ossos quebrados.

Na época, a Polícia Civil não conseguiu identificar os autores do crime. As investigações ganharam novo impulso após a prisão de Thiago pela Polícia Federal.

Em julho de 2025, Gabriella Anacleto Kiefer e Thiago Oliveira do Nascimento se tornaram réus por homicídio qualificado.

A prisão do veterinário ocorreu inicialmente em janeiro de 2024, durante uma investigação da Polícia Federal por tentativa de extorsão contra um empresário indiano. A partir desse caso, a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha retomou as investigações sobre o assassinato.

Durante buscas na residência de Thiago, os investigadores encontraram munições e diversos equipamentos relacionados a armas de fogo. Após perícia, a polícia concluiu que a arma utilizada no homicídio era uma das apreendidas na casa do veterinário.

Laudos de confronto balístico confirmaram que os projéteis retirados do corpo da vítima foram disparados pela arma localizada com Thiago. O veterinário confessou o homicídio, alegando legítima defesa. Já Gabriella exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio durante o interrogatório.

Em nota, o advogado da dentista, Marcos Daniel Vasconcelos Coutinho, afirmou que a acusação contra sua cliente decorre de “um conjunto de equívocos que serão esclarecidos perante a Justiça” e disse estar confiante de que Gabriella será declarada inocente.

A defesa de Thiago Oliveira do Nascimento informou ao g1 que não comentará o caso, alegando que o processo tramita sob sigilo.

Fonte: G1