Empresário é investigado pelo MP-SP por ligação com facção criminosa e responde por morte de companheira; caso envolve contratos de R$ 157 milhões em projeto de internet em SP
O empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, sócio de uma empresa ligada à produtora do documentário Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é apontado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele também está preso preventivamente sob acusação de feminicídio.
A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo e confirmada à GloboNews por fontes do MP e da Polícia Civil.
O nome de Santos aparece no contexto de investigações envolvendo a produtora do documentário. A empresa da qual ele foi sócio funcionava no mesmo endereço do Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização comandada pela empresária Karina Ferreira da Gama, alvo de operação da Polícia Civil que apura suspeitas em um contrato de R$ 157 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para implantação de pontos de Wi-Fi gratuito na periferia da capital.
Até dezembro de 2025, Alex Leandro Bispo dos Santos era sócio único da Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., uma das empresas contratadas para instalar e operar os pontos de internet no programa. A empresa recebeu mais de R$ 3,8 milhões, segundo prestações de contas apresentadas à Prefeitura.
Atualmente, Santos está preso preventivamente pela morte da companheira, Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, que caiu do 10º andar de um prédio na Vila Andrade, Zona Sul de São Paulo, em novembro de 2025.
Segundo o promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco de Presidente Prudente, o empresário possui extensa ficha criminal e já esteve preso em unidades onde cumprem pena integrantes da cúpula do PCC, como Mirandópolis e Presidente Venceslau. Levantamento no CNJ aponta mais de 60 processos envolvendo seu nome, incluindo acusações de roubo, extorsão mediante sequestro e feminicídio.
O Tribunal de Justiça de São Paulo tornou o empresário réu pelo caso da morte da companheira. De acordo com a denúncia do Ministério Público, imagens de segurança mostram agressões e o arrasto da vítima de volta ao apartamento antes da queda. A acusação sustenta que se trata de homicídio, enquanto a defesa afirma que houve discussão, agressão e que a mulher teria se jogado da sacada.
A defesa de Santos nega qualquer ligação com o PCC e afirma que as acusações não têm prova. Também contesta a acusação de feminicídio.
Sobre o caso do contrato do programa de Wi-Fi, a Prefeitura de São Paulo afirma que não possui vínculo direto com a empresa citada, apenas com o Instituto Conhecer Brasil, responsável pela gestão dos fornecedores. A gestão municipal também afirma que os pontos de internet estão em operação e que não há irregularidades confirmadas até o momento.
O Instituto Conhecer Brasil declarou que a contratação da empresa ocorreu com base em critérios técnicos e que, após tomar conhecimento da investigação envolvendo o empresário, rescindiu a relação contratual em dezembro de 2025. A entidade afirma ainda que não havia impedimento legal no momento da contratação.
Fonte: G1


