Médicos alertam para riscos do uso indiscriminado de tadalafila e apontam aumento do consumo entre jovens

O uso da tadalafila sem prescrição médica tem crescido no Brasil e acendido alerta entre especialistas. Indicada principalmente para o tratamento da disfunção erétil, a substância também é utilizada em casos de hipertensão arterial pulmonar e sintomas urinários associados ao aumento da próstata, mas vem sendo consumida de forma recreativa por homens jovens.

“Tomei cinco miligramas porque ia sair com mais de uma menina em um dia”, relata Ricardo (nome alterado), de 28 anos, ao descrever o uso do medicamento, que se popularizou em redes sociais, conversas entre amigos e aplicativos de mensagem. O remédio, apelidado de “tadala”, também passou a ser associado a práticas em academias, sob a crença de potencializar o ganho de massa muscular.

Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram aumento expressivo nas vendas: foram 74,9 milhões de caixas em 2025, ante 64,7 milhões no ano anterior. Em 2015, o total era de 3,2 milhões de unidades. Embora não haja recorte por faixa etária, médicos relatam crescimento do uso entre homens jovens.

Especialistas apontam preocupação com a banalização do medicamento. Para o urologista e representante da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Gustavo Marquesine Paul, o uso frequente pode gerar dependência psicológica. “Esses homens passam a acreditar que só conseguirão ter um bom desempenho sexual se estiverem usando o medicamento”, afirma.

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Entre os efeitos adversos mais comuns estão dor de cabeça, dores musculares, congestão nasal, vermelhidão facial e desconfortos gastrointestinais. Em casos mais raros, podem ocorrer ereção prolongada, alterações visuais e auditivas e queda significativa da pressão arterial.

Segundo o urologista Fernando Meyer, da PUCPR, a combinação com álcool, energéticos, estimulantes, anabolizantes ou substâncias de procedência desconhecida amplia os riscos. “Os efeitos tornam-se imprevisíveis”, alerta. Ele também destaca que pacientes que utilizam determinados medicamentos para doenças cardíacas podem sofrer quedas perigosas de pressão ao combinar substâncias.

Outro ponto de atenção é o uso fora das indicações médicas, inclusive por mulheres, prática considerada off label e que deve ocorrer apenas com avaliação profissional. Especialistas reforçam ainda que o medicamento não aumenta desejo sexual nem desempenho físico em pessoas saudáveis, apesar da percepção difundida entre usuários.

O aumento do consumo também é atribuído à facilidade de acesso e à influência de conteúdos digitais. Para médicos, a pressão por desempenho e a circulação de informações sem base científica contribuem para a normalização do uso.

A substância atua inibindo uma enzima responsável pela degradação de substâncias envolvidas no mecanismo da ereção, mas seu uso deve ser restrito a casos clínicos específicos. Especialistas reforçam que a automedicação pode levar a efeitos adversos e riscos cardiovasculares.

Fonte: METRÓPOLES