A inadimplência nas operações de crédito atingiu um patamar histórico em maio, mesmo no mês de lançamento do novo Desenrola Brasil, programa do governo federal voltado à renegociação de dívidas. Os dados são do Banco Central (BC).
A taxa média de atrasos superiores a 90 dias entre pessoas físicas e empresas subiu para 4,7%, o maior nível da série histórica iniciada em 2011. No recorte que considera apenas pessoas físicas em operações de crédito com recursos livres — como cheque especial, cartão de crédito e crédito pessoal — o índice chegou a 7,6%, também o maior já registrado pelo BC.
Mesmo com a renegociação de pelo menos R$ 15 bilhões em dívidas dentro do programa, os atrasos continuaram em alta ao longo do mês. Em um período de 12 meses, a taxa média de inadimplência avançou 1 ponto percentual.
O resultado chama atenção por ocorrer justamente em um momento em que o governo busca reduzir o endividamento das famílias por meio de programas de renegociação e estímulo à regularização de débitos.

Por que a inadimplência segue alta
Segundo a economista Juliana Inhasz, do Insper, apesar de o mercado de trabalho continuar aquecido e a renda apresentar crescimento, esse avanço não tem sido suficiente para compensar o aumento do custo de vida.
Ela explica que, em muitos casos, a renda não cresce na mesma velocidade que as despesas das famílias, especialmente com itens essenciais como alimentação, moradia e transporte, o que compromete o orçamento doméstico e pressiona o endividamento.
O cenário ajuda a explicar por que, mesmo com iniciativas de renegociação de dívidas, o nível de inadimplência segue em trajetória de alta e atinge novos recordes no país.
Fonte: OGLOBO



