Alvo de sanção dos EUA por suposta ligação com o PCC disse temer investigação do FBI, mostram diálogos

Sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), Victor Henrique de Oliveira Shimada, de 41 anos, aparece em diálogos obtidos pela Polícia Federal (PF) afirmando temer uma investigação do FBI após ser alvo de uma operação policial.

As conversas fazem parte de uma investigação que levou à condenação de Shimada pela Justiça Federal por lavagem de dinheiro em um esquema milionário de fraude eletrônica contra o Banco Votorantim, atualmente BV.

Em um dos áudios extraídos de celulares apreendidos pela PF, Shimada conversa com um homem apontado como um “possível parceiro de negócios” e relata dificuldades após a operação.

“Travou muita coisa, não tô conseguindo trampar, mano. Travou as coisas minhas lá dos Estados Unidos, mano. Contas, bagulho todo (…) Esse papo vai dar FBI, mano. Você entendeu? Não é brincadeira. Os caras estão investigando pesado”, afirma.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nos diálogos, Victor Shimada também faz referências a negócios na Colômbia, no México e nos Estados Unidos. Além das sanções impostas pelo governo americano, ele responde a um processo nos EUA por supostamente integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas.

Shimada foi condenado no âmbito da Operação Retorno Velado, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2024. Segundo a investigação, ele participou de um esquema que realizou 2.799 transferências fraudulentas via PIX em apenas um fim de semana, em agosto de 2024, desviando R$ 35 milhões do BV.

De acordo com as investigações, os recursos foram enviados para a conta da empresa Victory Trading, pertencente a Shimada e também sancionada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Em seguida, os valores teriam sido convertidos rapidamente em criptomoedas para dificultar o rastreamento.

Na sentença, o juiz Massimo Palazzolo, da 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo, condenou Shimada pelo crime de lavagem de dinheiro. O magistrado entendeu que, como operador experiente de criptoativos, o réu agiu com dolo ao receber valores considerados vultosos e atípicos em um domingo à noite sem identificar adequadamente a origem dos recursos e os beneficiários.

A pena foi fixada em cinco anos de reclusão em regime semiaberto. No entanto, Shimada foi absolvido da acusação de furto qualificado relacionado à suposta invasão hacker ao sistema do banco. Segundo o juiz, não havia provas de que ele tivesse participado diretamente da fraude eletrônica.

O investigado chegou a ser preso preventivamente em dezembro de 2024, mas obteve habeas corpus no mês seguinte, sendo colocado em liberdade mediante pagamento de fiança. Atualmente, ele não utiliza mais tornozeleira eletrônica e está proibido apenas de deixar o país.

Em nota, o BV informou que adotou imediatamente as medidas cabíveis ao identificar movimentações irregulares relacionadas aos serviços de Banking as a Service (BaaS). O banco afirmou ainda que comunicou os fatos às autoridades competentes, colaborou com as investigações e atuou como assistente de acusação na ação penal que resultou na condenação de Victor Henrique de Oliveira Shimada.

Fonte: OGLOBO