Serviço Secreto recomendou que Trump deixasse a Turquia em antigo Air Force One por questões de segurança

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retornou da Turquia utilizando uma versão antiga do Air Force One, em vez do novo avião presidencial recebido do Catar. Segundo a imprensa americana, a troca da aeronave ocorreu por recomendação do Serviço Secreto, que teria apontado preocupações com a segurança do novo jato em meio à retomada dos ataques dos EUA contra o Irã na região do Golfo Pérsico.

A mudança chamou a atenção após a participação de Trump em uma reunião de líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Ancara.

Na pista da capital turca, o presidente embarcou rapidamente na aeronave, enquanto os demais passageiros receberam orientação para manter as janelas fechadas. Durante conversa com jornalistas, Trump evitou detalhar os motivos da troca e afirmou que estava em “um terreno perigoso, por causa dos canalhas com quem temos de lidar”, acrescentando que era o “alvo número 1 do Irã”.

No momento das declarações, segundo a reportagem, ataques atingiam o território iraniano, além de áreas no Bahrein e no Kuwait, a menos de 2 mil quilômetros da capital turca.

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Troca de aeronave ocorreu no Reino Unido

O antigo Air Force One pousou na noite de quarta-feira na base aérea de Mildenhall, no Reino Unido, onde o novo avião presidencial, que havia transportado Trump até a Turquia, aguardava para a etapa final da viagem até Washington.

Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que utilizou a aeronave antiga “pelos velhos tempos” e para permitir que militares americanos na base britânica pudessem conhecer o novo avião. Na mensagem, também minimizou as preocupações relacionadas à sua segurança.

No entanto, segundo integrantes do governo e especialistas ouvidos pelo The New York Times, a decisão foi tomada a pedido do Serviço Secreto porque o novo Air Force One ainda não possuiria todos os sistemas de defesa instalados na versão anterior.

As fontes afirmaram que não havia uma ameaça específica contra o presidente, mas que a medida foi adotada por excesso de cautela, evidenciando questionamentos sobre a adaptação da aeronave doada pelo Catar.

Adaptação do novo Air Force One gera dúvidas

O Boeing 747-8, avaliado em cerca de US$ 400 milhões, passou por aproximadamente um ano de adaptações para atender às exigências de segurança da Presidência dos Estados Unidos.

Apesar disso, parlamentares e integrantes do governo questionam se o prazo foi suficiente para a instalação de todos os sistemas necessários, especialmente diante da pressa demonstrada por Trump para utilizar a aeronave.

Fontes da indústria aeroespacial e do Pentágono ouvidas pelo The New York Times afirmaram que um processo completo de adaptação poderia levar até dois anos e custar aproximadamente US$ 1 bilhão, valor superior ao informado pelo governo americano.

Segundo imagens obtidas pela agência Associated Press, o novo Air Force One ainda não apresentaria os mesmos sistemas de detecção e evasão de mísseis existentes na aeronave anterior. Também não estaria claro se a estrutura recebeu reforço na fiação interna para protegê-la contra pulsos eletromagnéticos, medida considerada essencial em um cenário de guerra nuclear.

Andrew Hunter, responsável pelo programa do Air Force One durante o governo do ex-presidente Joe Biden, afirmou ao The New York Times que, no tempo disponível, seria possível atualizar sistemas de comunicação, mas não realizar modificações estruturais de grande porte.

“No tempo de que dispunham, eles conseguiriam realizar atualizações nos sistemas de comunicação. Mas nada que exigisse obras estruturais significativas.”

Ele acrescentou:

“E realizar uma atualização completa, equivalente à do Air Force One, exige, sim, modificações estruturais.”

Casa Branca defende segurança da aeronave

O Serviço Secreto e a Força Aérea dos Estados Unidos não comentaram o caso.

Em nota, o diretor de Comunicações da Casa Branca, Steven Cheung, afirmou que o avião vindo do Catar é uma aeronave de última geração equipada com protocolos de segurança capazes de garantir a proteção do presidente e de sua equipe.

Cheung também declarou que, diante das ameaças enfrentadas por Trump, o governo utiliza todas as ferramentas disponíveis, incluindo estratégias de distração e desinformação, para lidar com riscos à segurança.

Avião foi doado pelo Catar

O Boeing 747-8 foi entregue ao Emirado do Catar em 2012 e oferecido ao governo americano em meio à pressão de Donald Trump para acelerar a entrega dos novos aviões presidenciais produzidos pela Boeing.

O programa enfrenta atrasos e aumento de custos, com previsão de conclusão apenas em 2028.

A Casa Branca aceitou a doação em 2025, sob a condição de que a aeronave seria utilizada temporariamente durante o mandato de Trump e, posteriormente, destinada à futura biblioteca presidencial.

Desde o anúncio da doação, a iniciativa tem sido alvo de questionamentos éticos, legais e de segurança, muitos dos quais permanecem sem resposta.

Fonte: OGLOBO