Homem morre durante ação do ICE nos EUA e caso provoca protestos no estado do Maine

Uma pessoa morreu baleada durante uma operação envolvendo agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) na cidade de Biddeford, no estado do Maine, nesta segunda-feira (13). O caso foi confirmado pelo presidente da Câmara dos Deputados do estado, Ryan Fecteau, e gerou protestos contra a atuação da agência de imigração.

Segundo o senador Angus King, o secretário de Segurança Interna do governo Donald Trump, Markwayne Mullin, informou que os agentes abriram fogo depois que um homem teria utilizado seu veículo como arma contra os policiais durante a abordagem.

Organizações de defesa dos direitos humanos identificaram a vítima como um cidadão colombiano de 26 anos, que, segundo elas, possuía autorização para trabalhar nos Estados Unidos e um número de registro no Departamento de Segurança Nacional, equivalente ao RG brasileiro. A identidade do homem, no entanto, não foi divulgada.

A CNN Internacional também informou que agentes do ICE participaram do tiroteio ocorrido em Biddeford, cidade de aproximadamente 21 mil habitantes localizada na costa leste dos Estados Unidos.

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Testemunha relata momentos da abordagem

Uma testemunha contou à imprensa local que estava no segundo andar de seu apartamento quando ouviu sons semelhantes a fogos de artifício por volta das 7h30.

Ao olhar pela janela, afirmou ter visto um SUV branco colidir diversas vezes contra um carro branco menor, alterando sua direção. Em seguida, um agente do ICE teria saído do utilitário, tentado abrir a porta do outro veículo e retirado um homem de seu interior.

Segundo o relato, a vítima apresentava ferimentos e sangue no rosto e na cabeça e foi colocada no chão pelos agentes.

A testemunha também afirmou que o agente que aparentava ter efetuado o disparo estava “muito transtornado, quase em estado de choque”, e dizia que o homem havia tentado atropelá-lo ou atingi-lo.

Protestos após a morte

Após o episódio, cerca de 200 manifestantes se reuniram em um parque de Biddeford para protestar contra o ICE. O grupo carregava cartazes e entoava palavras de ordem antes de seguir em marcha até o escritório da senadora republicana Susan Collins, que disputará a reeleição neste ano.

Durante a manifestação, dez pessoas entraram no saguão do prédio gritando frases como “Fora, ICE!” e “Tirem-na do cargo pelo voto!”, além de palavrões. Um representante do gabinete da senadora saiu para conversar com parte dos manifestantes. Não houve registros de violência nem prisões.

Segunda morte envolvendo o ICE durante a Copa do Mundo

Caso seja oficialmente confirmado, este será o segundo caso de morte provocada por disparos de agentes do ICE durante a Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá.

Na semana anterior, agentes da imigração mataram a tiros o mexicano Lorenzo Salgado Araujo, no estado do Texas, durante uma operação de fiscalização migratória.

Segundo o ICE, Salgado estava em situação migratória irregular, bateu em um veículo da agência, ignorou ordens para parar e tentou atropelar um agente, que reagiu atirando em legítima defesa. O mexicano foi socorrido, mas morreu no hospital.

Ronaldo Salgado, que se apresentou como filho da vítima, afirmou à emissora Telemundo Houston que o pai procurava trabalhadores para contratar quando foi baleado.

Casos anteriores geraram questionamentos

No início deste ano, outros dois cidadãos norte-americanos morreram após serem baleados por agentes de imigração.

Um dos casos envolveu a poeta Renee Nicole Good, de 37 anos e mãe de três filhos, atingida por disparos enquanto passava de carro por uma área residencial onde ocorria uma operação do ICE em Minneapolis, no estado de Minnesota.

Semanas depois, também em Minneapolis, o enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, morreu após ser baleado por um agente do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos durante uma patrulha em um protesto contra a política migratória do governo Donald Trump.

Nos últimos meses, versões iniciais apresentadas por autoridades americanas em operações semelhantes passaram a ser contestadas por imagens de câmeras e outras provas. Em outubro, por exemplo, Marimar Martinez, moradora da região de Chicago, foi acusada de atingir agentes com o carro e recebeu cinco tiros, mas sobreviveu. Posteriormente, as acusações foram retiradas depois que imagens indicaram que a colisão poderia ter sido provocada pelos próprios agentes.

Fonte: G1