Sabesp fecha cratera em Osasco, mas três casas continuam interditadas

A Sabesp concluiu na manhã desta terça-feira (14) a primeira etapa dos reparos da cratera que se abriu no bairro Rochdale, em Osasco, na Grande São Paulo. Apesar do avanço na obra, três imóveis permanecem interditados após apresentarem rachaduras e danos estruturais provocados pelo incidente.

A cratera surgiu na Rua Cuiabá, durante uma obra executada pela Sabesp para a implantação de uma rede de esgoto voltada à despoluição de córregos. Após uma madrugada de trabalho, uma camada de cimento foi aplicada no local como parte da primeira fase da recuperação.

Segundo a companhia, o megaburaco foi causado por uma movimentação de solo, que provocou trincas e rachaduras em três residências localizadas em frente ao canteiro de obras.

A Defesa Civil de Osasco informou que a intervenção, realizada por uma empresa terceirizada da Sabesp, ocasionou danos estruturais que comprometeram a segurança dos moradores. Por esse motivo, os três imóveis foram interditados.

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Ao todo, nove pessoas ficaram desabrigadas, sendo sete adultos e duas crianças. De acordo com a Sabesp, os moradores serão acolhidos pela concessionária e receberão um auxílio de pelo menos R$ 2 mil.

A empresa informou ainda que equipes de assistência social e de engenharia permanecem no local para prestar atendimento às famílias, realizar avaliações técnicas e adotar as medidas necessárias enquanto as causas do incidente são apuradas.

Em nota, a Sabesp afirmou que prestará toda a assistência aos moradores afetados e fará o reparo integral dos danos provocados pelo incidente, acompanhando cada caso individualmente até a solução definitiva.

A Prefeitura de Osasco confirmou que equipes da Defesa Civil e da Sabesp continuam mobilizadas na área para acompanhar a situação.

Casos recentes

O episódio ocorre em meio a uma sequência de ocorrências envolvendo obras da Sabesp na Região Metropolitana de São Paulo. Nos últimos meses, intervenções da companhia provocaram interdições de vias, rompimentos de tubulações e afundamentos de solo em diferentes municípios, exigindo ações da Defesa Civil e mudanças no trânsito durante os reparos.

No dia 6 de julho, um rompimento de adutora foi registrado na Avenida Luiz Pequini, em São Bernardo do Campo, durante obras de ampliação do sistema de saneamento executadas pela companhia.

Em junho, a Sabesp também admitiu que funcionários não seguiram protocolos de segurança, provocando um vazamento de gás na Rua Dr. Teodoro Baima, no Centro de São Paulo. O incidente ocorreu três dias após a empresa anunciar novas medidas de segurança para evitar acidentes semelhantes ao registrado no Jaguaré, onde uma obra da companhia atingiu uma tubulação de gás. A explosão deixou 46 imóveis atingidos, sendo dez totalmente destruídos, e o caso segue sob investigação.

Diante da sequência de ocorrências, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou, em junho, que o Estado revisará os procedimentos adotados nas obras da Sabesp.

Segundo o governador, atualmente existem 1.200 canteiros de obras da companhia em funcionamento no estado, o que exige uma reavaliação dos protocolos de segurança.

“A gente tem hoje 1.200 canteiros de obra da Sabesp no estado. São muitas obras acontecendo e tem uma hora que você tem que dar uma parada. Vamos verificar procedimento, porque a gente não pode ter esse tipo de coisa acontecendo”, declarou.

Tarcísio acrescentou que o aumento dos investimentos em saneamento após a privatização da empresa, em 2024, elevou a quantidade de intervenções simultâneas e reforçou a necessidade de garantir a segurança da população.

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) informou que já iniciou as apurações sobre o caso e enviará uma equipe técnica ao local. Caso sejam constatadas irregularidades, incluindo eventual descumprimento dos protocolos de segurança, poderão ser aplicadas as sanções cabíveis. O órgão também acompanhará a assistência prestada pela concessionária às famílias atingidas.

Fonte: G1