Jorginho dispara contra jogadores e CBF após queda do Brasil na Copa: “Parece que não dói”

A eliminação da seleção brasileira para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo segue repercutindo. Em entrevista exclusiva ao ge, o ex-lateral Jorginho, campeão mundial com o Brasil em 1994, fez duras críticas à postura de parte dos jogadores após a derrota e apontou falhas no trabalho da CBF durante o ciclo que antecedeu o Mundial.

Segundo o tetracampeão, faltou aos atletas demonstrar publicamente o peso da eliminação. Para ele, a forma como alguns jogadores se comportaram poucos dias depois da derrota passou a impressão de que o resultado não teve impacto.

“Tivemos muitos jogadores focados, que choraram, mas ainda sinto falta deles sentirem a dor da derrota. Não que não sintam, mas expressar isso com atitude… Parece que nada aconteceu. Três dias depois, alguns jogadores como se nada tivesse acontecido. O cara tem direito a férias. Tem que aproveitar, mas não precisa postar bosta nenhuma, não tem que postar nada. Porque está todo mundo injuriado, todo mundo chateado. Não tem nem como sorrir num momento desse. E parece que não dói. Isso revolta a minha geração, revolta bastante a gente”, afirmou Jorginho.

O ex-jogador também avaliou o desempenho dos laterais brasileiros durante a competição. Embora tenha elogiado a consistência defensiva de Douglas e Danilo, considerou que ambos contribuíram pouco ofensivamente e lamentou a falta de jogadores com características mais completas na posição.

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Jorginho destacou que Douglas foi seguro na marcação, mas praticamente não participou das ações ofensivas. Segundo ele, quando o lateral aproveitou os espaços pelo corredor, conseguiu realizar quatro cruzamentos. Sobre Danilo, afirmou que também tentou apoiar o ataque, mas não teve sucesso nas jogadas.

O ex-lateral ainda manifestou esperança de que novos talentos surjam para o setor, citando Wesley como um jogador promissor que acabou prejudicado por uma lesão.

Na avaliação do campeão mundial, o principal motivo para o fracasso brasileiro na Copa foi o processo conduzido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) durante os quatro anos anteriores ao torneio.

Ele reconheceu que o técnico Carlo Ancelotti e os jogadores têm parcela de responsabilidade pela eliminação, mas afirmou que os problemas começaram muito antes da disputa do Mundial. Jorginho lembrou que o período foi marcado por troca de presidente da CBF e pela passagem de quatro treinadores diferentes pela Seleção.

Apesar das críticas ao processo, ele elogiou o atual presidente da entidade, Samir Xaud, além do coordenador Rodrigo Caetano, destacando a qualificação de ambos.

“É claro que Ancelotti tem a parcela de culpa dele, os jogadores com certeza, mas o grande problema foi o processo. Os 4 anos muito mal feitos. Aí chega no final de tudo, pega o Ancelotti, pega o Rodrigo Caetano, que são pessoas extremamente qualificadas. Mas por causa do processo, que foi muito ruim, atrapalhou tudo o que a seleção poderia alcançar. Eu via que a gente não tinha um time, a gente tinha bons jogadores. Um craque que é o Vinícius Júnior e um gênio que é o Neymar, que não jogou. Ao meu ver, ele deveria ter tido mais oportunidades”, declarou.

Jorginho também comentou a situação de Neymar. Após a derrota para a Noruega, o camisa 10 afirmou à ge tv que estaria se despedindo da Seleção. Mesmo aos 34 anos, o ex-lateral acredita que o atacante ainda pode disputar a Copa do Mundo de 2030, desde que tenha maior disciplina na recuperação física.

Para ele, um jogador lesionado deve priorizar o tratamento e evitar compromissos como o Carnaval.

“Falando de Neymar, se eu fosse ele, eu treinaria (para a Copa de 2030). Jamais um jogador que está machucado deve ir para o carnaval, por exemplo. Tem que ficar em casa. Todo mundo queria ver o Neymar em casa, aí o cara vai para o carnaval. Pô, está errado, caraca! Todo mundo pensando Copa do Mundo, o cara vai assistir carnaval. Não, tem que dormir, tem que descansar. O Neymar tem os erros dele, teve as contusões que ele teve, mas continua sendo o único gênio que nós temos nessa geração.”

Fonte: GE