‘Frentiscão’ de Campinas desaparece na Patagônia e mobiliza força-tarefa da família

O cachorro Poze, um dos famosos “frentiscães” de um posto de combustíveis de Campinas (SP), desapareceu na noite de domingo (12) durante uma viagem de trailer com a família em El Bolsón, cidade da região da Patagônia, na Argentina. O município tem cerca de 24 mil habitantes e, desde o sumiço, os tutores organizam uma mobilização para localizar o animal.

Poze foi resgatado ainda filhote e se tornou uma figura conhecida no posto administrado por um de seus tutores, Giovanni Fernandes. O cão desapareceu após ser solto em um acampamento onde a família estava hospedada.

Em entrevista ao g1, Giovanni contou que realiza buscas diariamente, espalhou cartazes pela cidade e mobilizou moradores e a imprensa local para ampliar as chances de encontrar o cachorro.

A operação de busca, no entanto, enfrenta dificuldades. Durante a viagem, a hidráulica do trailer apresentou problemas, deixando a família sem banho e sem cozinha. Além disso, os recursos financeiros estão diminuindo, assim como a ração destinada aos outros cães que acompanham a viagem.

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Os tutores também precisam cumprir compromissos profissionais no Brasil. Caso Poze não seja encontrado nos próximos dias, Giovanni e a noiva estudam retornar ao país para resolver essas obrigações, deixar os outros três cães — Matuê, Nagalli e Flávia — e, posteriormente, voltar à Argentina para continuar as buscas.

Os nomes Matuê, Poze e Nagalli são inspirados em artistas do trap e do funk brasileiro, conhecidos por músicas como “Anos Luz”, “Confissões” e “Me Sinto Abençoado”.

Uma nova força-tarefa, com apoio de moradores da região, está prevista para acontecer no sábado (18).

Últimos momentos antes do desaparecimento

Na noite de domingo, a família recolheu os quatro cães para gravar uma publicidade e, logo depois, voltou a soltá-los em um acampamento. Matuê, Nagalli e Flávia retornaram normalmente, mas Poze desapareceu e não foi mais visto.

Segundo Giovanni, era comum deixar os animais soltos no espaço cercado do acampamento, localizado a cerca de dez minutos de uma estação de esqui. O local possui um bosque nos fundos, área que passou a ser um dos principais focos das buscas.

O tutor descreve Poze como um cachorro “malandro”, acostumado a interagir com outros cães e pouco assustado, comportamento adquirido durante o período em que viveu nas ruas. Em casa, porém, costuma ser reservado e dificilmente demonstra carência.

Giovanni relembrou com emoção o último momento ao lado do animal.

“Ele veio pedir carinho de um jeito tão, tipo, que não era dele. Pediu tanto carinho, não parava […] e a gente até brincou: ‘nossa, como você está carinhoso, nem parece você’. E foi a última interação que a gente teve com ele”, contou.

Buscas enfrentam frio intenso e dificuldades na região

As buscas são prejudicadas pelas características geográficas da região, que possui rodovia, rio e trilhas em áreas de montanha, tornando o acesso mais difícil.

Além disso, a família enfrenta três obstáculos principais:

  • O rastreador de Poze não funciona porque depende de celulares da mesma marca conectados à internet nas proximidades, algo inexistente na área rural onde ocorreu o desaparecimento.
  • O frio intenso e as chuvas constantes aumentam a preocupação com hipotermia e falta de alimento.
  • Muitos moradores das fazendas locais estão acostumados a ver cães circulando livremente e podem não perceber que Poze está perdido, mesmo usando coleira de identificação.

“Ele teve muitos lugares para poder ir. Então, é difícil de procurar. Uma das ruas ia até o centro de esqui, a gente fez ela até o final, não encontramos ele, avisamos todo mundo do centro de esqui. E aí, eles já postaram em grupos de Facebook por aqui”, relatou Giovanni.

Dos postos de combustíveis para a fama nas redes sociais

Poze era um cachorro em situação de rua quando apareceu em uma das unidades da rede de postos da família de Giovanni. Após ser acolhido, foi adotado pelo gerente do estabelecimento localizado no Jardim Novo Campos Elíseos, em Campinas, onde ganhou uniforme de frentista e passou a receber clientes ao lado de Matuê.

Matuê, um vira-lata caramelo de oito anos, foi o primeiro cão adotado pelo posto e sobreviveu anteriormente a um grave atropelamento.

A rotina dos chamados “frentiscães” conquistou milhões de pessoas nas redes sociais. O perfil criado por Giovanni para mostrar o dia a dia de Poze, Matuê, Nagalli e Flávia reúne atualmente mais de 1,1 milhão de seguidores.

Fonte: G1