Cinco dias após acidente com Porsche, corpo de jovem ainda não é liberado e mãe desabafa: “É um antiluto”

A família de Lívia Bevilacqua Batista, de 20 anos, vive dias de espera e sofrimento após o acidente envolvendo uma Porsche que bateu contra uma árvore e pegou fogo na Rodovia Francisco Von Zuben (SP-091), em Campinas (SP). Cinco dias após a tragédia ocorrida na sexta-feira (10), o corpo da jovem ainda não havia sido liberado para velório e sepultamento.

Sem conseguir realizar a despedida da filha, a mãe de Lívia, Danila Bevilacqua, afirmou que a família enfrenta um momento de profunda angústia e definiu a situação como um “antiluto”.

“A gente está passando por um período que eu ainda nem chamo de luto. É um antiluto de muito sofrimento. Porque a gente está sofrendo essa perda e a gente não tem essa vivência material dela, física, para poder enterrar ela, se despedir dela”, relatou.

Danila disse compreender que os procedimentos periciais são necessários para a investigação e identificação oficial da vítima, mas afirmou não entender a demora na conclusão do processo.

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“Isso para a gente está sendo muito angustiante, e sem entendermos o porquê. Respeitando os prazos, respeitando tudo que tem que ser feito, mas com muitas desinformações, muita coisa que a gente não está conseguindo identificar o que está acontecendo”, afirmou.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que a liberação do corpo depende da conclusão da identificação oficial realizada pela Polícia Técnico-Científica, conforme os protocolos legais.

Polícia investiga caso como homicídio culposo

Segundo Bianca Bevilacqua, irmã de Lívia, a jovem havia saído de casa para jantar no bar Seo Rosa Gramado e foi buscada por Arthur Rodrigues de Souza, de 20 anos, estudante de Medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic e proprietário da Porsche envolvida no acidente.

Arthur teve sua identidade confirmada logo após a ocorrência e foi sepultado na manhã de domingo (12), no Cemitério Municipal de Albertina (MG), cidade onde morava com os pais.

Já a Polícia Civil confirmou oficialmente a identidade de Lívia na segunda-feira (14) e passou a investigar o caso como homicídio culposo na direção de veículo automotor, crime caracterizado quando a morte é causada sem intenção, em decorrência de imprudência, negligência ou imperícia.

Família entregou documentos e DNA para identificação

O pai da jovem, Adilson Silvio Batista, contou que a família iniciou as buscas por Lívia após perceber que ela não havia retornado para casa depois de sair com o motorista da Porsche.

Segundo ele, a preocupação aumentou quando souberam de um acidente envolvendo um veículo do mesmo modelo nas proximidades da residência da família.

“A partir daí começou a angústia”, afirmou.

Adilson relatou que foi até o local da colisão, encontrou objetos pertencentes à filha e, em seguida, procurou a delegacia e o Instituto Médico Legal (IML).

“Chegando lá tive a certeza que era minha filha pela roupa do corpo. Ela e o rapaz, os dois muito bem difíceis de identificar, mas ela, pela roupa, eu identifiquei no primeiro momento”, disse.

Mesmo após o nome de Lívia constar como vítima no boletim de ocorrência, a família afirma não compreender por que o corpo ainda não foi liberado.

O pai informou que entregou todos os materiais solicitados para auxiliar na identificação pericial.

“Toda a arcada dentária, fotos dela, filmagem, filmagem do carro, filmagem do local que ela saiu. Tudo, tudo. Tudo o que pediram e o meu DNA. Não tem mais o que fazer”, declarou.

Questionado sobre quando acredita que poderá sepultar a filha, Adilson respondeu que ainda não recebeu qualquer previsão.

“A gente não tem uma posição. Falam em tempo indeterminado. Não tem previsão.”

SSP explica motivo da demora

A Secretaria da Segurança Pública esclareceu que a inclusão do nome de Lívia no boletim de ocorrência foi realizada com base nos elementos reunidos durante a investigação, como depoimentos de familiares e testemunhas, apenas para qualificar a ocorrência.

Segundo a pasta, esse procedimento não substitui a identificação oficial do corpo.

A SSP informou que a liberação depende da conclusão dos exames realizados pela Polícia Técnico-Científica, que podem incluir perícias papiloscópicas, odontolegais, genéticas ou outros métodos, conforme as condições do corpo.

Somente após a confirmação oficial da identidade é autorizada a entrega aos familiares.

Relembre o acidente

O acidente aconteceu na noite da sexta-feira (10), na altura do km 93 da Rodovia Francisco Von Zuben (SP-091), em Campinas.

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que a Porsche sai da pista, colide contra uma árvore e explode em seguida.

Fonte: G1