Caiado chama declaração de Marco Rubio sobre Lula de “infeliz” após novo tarifaço dos EUA

O governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, criticou a declaração do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a confirmação de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. Em entrevista ao g1 nesta quinta-feira (16), durante agenda no Rio Grande do Sul, Caiado classificou a manifestação do representante do governo dos EUA como “infeliz”.

Segundo o pré-candidato, divergências políticas entre os governos não podem resultar em prejuízos para a população brasileira nem para a economia do país.

“Sem dúvida nenhuma, a declaração do Rubio foi uma declaração infeliz”, afirmou.

A reação ocorre após Marco Rubio publicar nas redes sociais que as novas tarifas impostas ao Brasil seriam consequência da forma como o governo Lula conduziu as negociações com os Estados Unidos.

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“Para que não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociariam com os EUA de boa-fé”, escreveu o secretário. Rubio também afirmou que o presidente brasileiro colocou “o próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro” e que “as tarifas são o preço por isso”.

Apesar de fazer críticas ao presidente Lula, Caiado afirmou que o Brasil não deve sofrer sanções em razão do embate entre lideranças políticas.

“Um país não deve ser punido, os 215 milhões de brasileiros, o Brasil que trabalha e produz não pode sofrer dessas penalizações”, declarou.

Ao comentar os impactos econômicos das novas tarifas, o governador avaliou que medidas dessa natureza podem provocar perda de empregos, fechamento de empresas e dificuldades para diversos setores produtivos, especialmente a agropecuária.

Na avaliação de Caiado, a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos não justificaria sanções desse porte. Ele destacou que os norte-americanos mantêm saldo favorável na balança comercial com o Brasil e afirmou que a medida acaba favorecendo politicamente o presidente Lula.

O pré-candidato também responsabilizou o governo federal pelo agravamento da crise comercial.

“Lula realmente lutou pela taxação, porque quer buscar um discurso de patriota, de defensor da soberania e quer surfar na mesma condição que ali os candidatos à presidência do Canadá e da Austrália surfaram naquele momento que o Trump nos tarifou”, declarou.

Caiado voltou a citar Marco Rubio e disse que o secretário norte-americano atribuiu o impasse à condução das negociações pelo governo brasileiro.

“Marco Rubio deixou claro que foi uma maneira deselegante a que o presidente Lula tem tratado o governo (Trump). Você vê claramente que há algo que interessa ao Lula provocar os Estados Unidos, querer neste momento atender a sua vontade que é a taxação”, afirmou.

Durante a agenda no Rio Grande do Sul, Caiado também confirmou participação em dois eventos nesta sexta-feira (17). Pela manhã, ele estará em Santo Ângelo, no Grupo Tradição e Folclore, no Parque da Fenamilho. À tarde, participará de compromisso no Itaimbé Palace Hotel, em Santa Maria.

Em 2026, esta é a terceira visita de Caiado ao estado. Em abril, ele participou do Fórum da Liberdade, em Porto Alegre, e, em maio, esteve na capital gaúcha para o lançamento da pré-candidatura de Gabriel Souza.

Na primeira passagem pelo Rio Grande do Sul como pré-candidato à Presidência, Caiado afirmou que pretende romper com a polarização política no país.

“O Brasil não tem esse traço de polarização. Quem se alimenta dele só faz atrasar o país. Venho com um único objetivo: romper essa bolha definitivamente e fazer o Brasil voltar a ser um país que a política possa voltar a debater assuntos que dizem respeito à vida do cidadão”, declarou.

Fonte: G1