O conflito entre Irã e Estados Unidos voltou a se intensificar nesta sexta-feira (17), após o governo iraniano acusar Washington de bombardear infraestrutura civil no sul do país. Em resposta, Teerã lançou ataques contra bases e aeronaves militares norte-americanas localizadas na Jordânia, no Kuwait, no Catar e na Síria.
Em comunicado, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que as forças dos Estados Unidos utilizaram bases na Jordânia para realizar bombardeios contra alvos civis, classificando a ação como um “grande crime de guerra”.
“Na noite passada, o exército dos EUA voltou a agir, utilizando suas bases na Jordânia para realizar, segundo o comunicado, um grande crime de guerra, atacando alvos civis, incluindo várias pontes, áreas residenciais e uma estação de bombeamento de água em Bandar Abbas, no sul do Irã”, informou a corporação.
Imagens divulgadas por agências estatais iranianas mostram pontes destruídas na cidade costeira de Bandar Khamir, próxima a Bandar Abbas. Segundo a agência Irna, sete pessoas morreram na cidade em consequência dos ataques.

O embaixador do Irã na Organização das Nações Unidas (ONU), Amir Saeid Iravani, também condenou os bombardeios e voltou a acusar os Estados Unidos de cometer crimes de guerra ao atingir infraestrutura civil iraniana.
Como retaliação, a Guarda Revolucionária informou ter lançado mísseis balísticos e drones contra aeronaves de combate e de reabastecimento dos Estados Unidos estacionadas na base de Al Azraq, na Jordânia. Segundo Teerã, diversos aviões militares foram destruídos e outros sofreram danos significativos.
No Catar, o Irã afirmou ter realizado um ataque surpresa de grande escala contra a base aérea de Al Udeid. O governo iraniano declarou que um sistema de radar de longo alcance e várias aeronaves estratégicas de reabastecimento foram completamente destruídos, enquanto outras ficaram gravemente danificadas.
Já no Kuwait, a Guarda Revolucionária afirmou ter atingido sistemas de defesa aérea e depósitos de armamentos de uma base norte-americana, provocando um grande incêndio.
Na Síria, Teerã declarou que bombardeou um centro de comando de operações especiais dos Estados Unidos em al-Tanf como resposta a um ataque americano anterior que matou soldados iranianos em Iranshahr, segundo a agência Tasnim. No entanto, uma fonte do governo sírio negou à agência AFP que o ataque tenha ocorrido.
Até a última atualização da reportagem, nem o Exército dos Estados Unidos nem a Casa Branca haviam se pronunciado oficialmente sobre as ações militares atribuídas ao Irã.
A nova escalada marca mais um capítulo da guerra entre os dois países, iniciada no fim de fevereiro. Após um período de cessar-fogo e um acordo preliminar de paz firmado em junho, os confrontos foram retomados e, há quase uma semana, os dois lados voltaram a trocar bombardeios diariamente.
Segundo o governo iraniano, os ataques realizados pelos Estados Unidos desde 22 de junho deixaram 38 mortos e mais de 400 feridos no território iraniano.
A intensificação do conflito também aumenta a tensão entre países do Golfo Pérsico que abrigam bases militares americanas. Catar, Jordânia, Omã, Kuwait e Bahrein vêm registrando diariamente interceptações de mísseis lançados pelo Irã.
Nesta sexta-feira, o governo do Kuwait também acusou Teerã de bombardear uma usina de energia e dessalinização de água, considerada infraestrutura essencial para o país, afetando parte da rede elétrica local.
Fonte: G1



