Pesquisa Quaest revela quem são os eleitores indecisos na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro

Faltando 76 dias para um primeiro turno marcado pela polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um recorte da mais recente pesquisa Genial/Quaest detalha o perfil do eleitorado que ainda não definiu o voto. Segundo o levantamento, os indecisos representam 11% do eleitorado e podem ter papel decisivo na eleição presidencial de 2026.

Os dados mostram que a maior parte desse grupo é formada por mulheres, moradores da região Sudeste, católicos, pessoas com renda entre dois e cinco salários mínimos e eleitores que se consideram politicamente independentes, sem alinhamento automático à esquerda ou à direita.

A pesquisa Genial/Quaest, divulgada na última quarta-feira (15), também apontou que Lula ampliou sua vantagem no primeiro turno sobre Flávio Bolsonaro. O presidente aparece com 40% das intenções de voto, contra 28% do senador. No levantamento anterior, realizado em junho, os percentuais eram de 39% e 29%, respectivamente.

Entre os indecisos, as mulheres representam 66% do total, enquanto os homens somam 34%. Para o CEO da Quaest, o cientista político Felipe Nunes, esse grupo reúne eleitoras que priorizam questões práticas do cotidiano.

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“São mulheres que não têm filiação ideológica. Ou seja, é a mulher pragmática, que está preocupada com o custo de vida, mas que quer ser respeitada. A disputa está aí”, afirmou.

Segundo ele, essas eleitoras demonstram insatisfação com o governo Lula, mas também não enxergam em Flávio Bolsonaro uma alternativa capaz de conquistar seu voto.

“Elas rejeitam o governo Lula, mas não encontram no Flávio Bolsonaro uma alternativa. Ou seja, estão indecisos porque querem uma alternativa”, declarou.

Os dados reforçam uma tendência observada desde as eleições de 2022, quando Lula apresentou melhor desempenho entre o eleitorado feminino, enquanto Bolsonaro concentrou maior apoio entre os homens. Atualmente, as mulheres representam 52% do eleitorado brasileiro.

Na tentativa de ampliar sua presença entre esse público, Flávio Bolsonaro lançou na última quinta-feira o programa “Brasil por Elas”, voltado às mulheres. Entre as propostas estão zerar a fila de creches e incentivar o empreendedorismo feminino. A iniciativa foi apresentada durante uma transmissão ao vivo ao lado de Daniella Marques (Republicanos), ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro e apontada como favorita para integrar a chapa presidencial ou assumir o Ministério da Fazenda em caso de vitória.

No recorte religioso, 44% dos eleitores indecisos são católicos, 30% evangélicos, 17% afirmam não ter religião e 8% pertencem a outras denominações religiosas.

Em relação ao posicionamento político, 53% dos indecisos se definem como independentes. Outros 22% se identificam como de direita não bolsonarista e 14% como de esquerda não lulista. Entre os eleitores que já decidiram como votar, os independentes representam apenas 29%.

A concentração regional também chama atenção. O Sudeste reúne 53% dos indecisos, abrangendo os três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro nesse conjunto apenas em Minas Gerais, por uma diferença de aproximadamente 50 mil votos válidos.

O Nordeste e o Sul concentram, cada um, 16% dos eleitores indecisos, enquanto o Centro-Oeste responde por 15%.

Na divisão por idade, 41% dos indecisos têm entre 16 e 34 anos. Outros 41% possuem entre 35 e 59 anos. Já os eleitores com 60 anos ou mais representam 18% desse universo.

O levantamento também mostra que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro enfrentam maior rejeição entre os eleitores indecisos. Entre aqueles que já definiram o voto, a rejeição ao presidente é de 50% e a do senador chega a 56%. No grupo dos indecisos, esses índices sobem para 56% e 61%, respectivamente.

Já os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que buscam espaço como alternativa fora da polarização, registram rejeição menor entre os indecisos do que no restante do eleitorado, indicando potencial para atrair parte desse segmento.

A aprovação do governo Lula também é inferior entre os indecisos. Nesse grupo, 35% aprovam a administração federal, enquanto entre os demais eleitores esse percentual chega a 50%.

A desaprovação apresenta números semelhantes nos dois grupos: 46% entre os indecisos e 47% entre os eleitores que já definiram o voto. Além disso, 19% dos indecisos disseram não saber ou preferiram não responder quando questionados sobre a avaliação do governo, percentual seis vezes superior ao registrado entre os não indecisos.

A pesquisa Genial/Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-07181/2026.

Fonte: G1