O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, definiu uma estratégia para a participação nos debates eleitorais de 2026: ele só deverá comparecer aos encontros em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também estiver confirmado.
A decisão foi tomada pelo núcleo central da campanha do senador, que avalia que o principal confronto da disputa deve ser entre Flávio e Lula. Com isso, a presença do candidato do PL no primeiro debate presidencial da TV Bandeirantes, marcado para 23 de agosto, ainda é incerta, já que a participação do atual presidente não foi confirmada.
O debate da Band, inicialmente previsto para o dia 16, foi remarcado para não coincidir com o lançamento da candidatura de Lula. A emissora aguarda a confirmação dos dois principais nomes da disputa, já que as campanhas de Flávio Bolsonaro e do presidente participaram de reuniões preparatórias e concordaram com as regras do encontro.
A estratégia da equipe bolsonarista considera o atual cenário eleitoral, com diversas candidaturas de direita no primeiro turno, mas pesquisas indicando a possibilidade de uma disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno.

“Alguém tem dúvida nesse Brasil de que no segundo turno vão estar o Flávio e o Lula? Então por que que você vai debater, sem querer tirar o valor do [Ronaldo] Caiado e do [Romeu] Zema, mas por que você vai debater com candidatos que têm 4%, 5%? Isso não faz sentido. O debate dele tem que ser com Lula e acabou”, afirmou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Na pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (24), Lula aparece com 40% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 32% em um cenário de primeiro turno. Ronaldo Caiado (PSD) tem 4%, Renan Santos (Missão) aparece com 3% e Romeu Zema (Novo) também registra 3%.
Segundo Valdemar, a participação em debates com candidatos de menor percentual poderia ampliar a exposição dos adversários. “Não tem sentido um debate só para fazer os outros crescerem. O camarada que tem 4%, 5%, só pode crescer, não vai diminuir. Então não tem sentido debater com essa gente, sem querer desqualificar ninguém”, declarou.
Debate, preparação e disputa por eleitores indecisos
Os debates presidenciais exigem preparação extensa das campanhas, incluindo media training, treinamento de respostas para questionamentos de adversários e jornalistas, além da produção de momentos que possam ser utilizados nas redes sociais.
A equipe de Flávio Bolsonaro também avalia que a atual disputa não possui um candidato de perfil mais moderado, como Simone Tebet em 2022 e Henrique Meirelles em 2018, que pudesse atrair eleitores indecisos para fora dos polos principais.
Integrantes do núcleo da campanha afirmam que candidatos como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos não seriam adversários diretos de Flávio na busca pelo eleitorado.
“Flávio vai ficar dialogando com quem não é adversário dele? Por que vai se expor para nanico? Está todo mundo querendo lambiscar voto dele?”, afirmou um integrante da campanha.
Um recorte da pesquisa Genial/Quaest, feito a pedido da coluna, aponta que os eleitores indecisos são principalmente mulheres, moradores da região Sudeste, católicos, com renda entre dois e cinco salários mínimos e que se definem como independentes, sem alinhamento automático com esquerda ou direita.
Entre os indecisos, 66% são mulheres e 34% são homens.
Estratégia também envolve construção da imagem de Flávio
Apesar da decisão da campanha, há integrantes do grupo político que defendem uma maior exposição pública do senador. A avaliação é de que Flávio Bolsonaro precisa fortalecer sua imagem durante a disputa eleitoral.
“Flávio tem que explicar muita coisa, tem que construir uma imagem”, afirmou um aliado.
A preocupação está relacionada a temas que devem ser explorados pela campanha de Lula, como as investigações envolvendo o caso Banco Master e o esquema de rachadinha no gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
O histórico de participação do senador em debates também é citado nos bastidores. Em 2016, durante um debate da TV Bandeirantes entre candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro, Flávio passou mal no segundo bloco, ameaçou cair e precisou ser amparado pelos candidatos Jandira Feghali (PCdoB) e Carlos Roberto Osorio (PSDB). Na ocasião, Jair Bolsonaro acompanhava o debate e impediu Jandira de ajudar o filho.
“Tranquilo zero um. Paga umas flexões aí”, disse Jair Bolsonaro na época.
Posteriormente, em um debate da RedeTV!, Flávio afirmou que “só de não ter passado mal, é uma evolução”.
Na campanha presidencial de 2022, Flávio Bolsonaro havia defendido a participação do pai, Jair Bolsonaro, nos debates eleitorais.
“Ele é sabatinado todo dia, não sei. Quem decide é ele. Ele não definiu ainda. Mas sou favorável que ele vá ao debate. Uma coisa é o que eu acho. Quem vai avaliar se é positivo ou não é ele”, declarou na ocasião.
Fonte: G1



